Política
12:08

Operação Overclean já mira deputados e prefeitos por desvios na Bahia

A Operação Overclean, que entrou em sua nona fase na terça-feira (13), já alcançou prefeitos, deputados e servidores públicos desde sua deflagração em dezembro de 2024.

As investigações revelaram cenas de dinheiro sendo jogado pela janela, guardado em gavetas e escondido dentro de botas. O foco é o desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios, com impacto significativo principalmente no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), ligado ao Ministério da Integração Nacional, especialmente na Bahia.

São investigados superfaturamento das obras, licitações fraudulentas e lavagem de dinheiro, com movimentação estimada em cerca de R$ 1,4 bilhão.

Devido à participação de parlamentares, o inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. Entre os alvos já estão parentes do deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e os deputados Félix Mendonça (PDT-BA), que foi alvo de buscas na última fase, e Dal Barreto (União Brasil-BA).

Na primeira fase da operação, foram cumpridos 43 mandados de busca, 17 prisões preventivas e sequestro de bens em cinco estados: Bahia, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Entre os presos estavam empresários, o ex-comandante do Dnocs na Bahia, Lucas Lobão, e o vereador de Campo Formoso (BA) Francisquinho Nascimento, primo do deputado Elmar Nascimento, que durante a operação foi filmado arremessando dinheiro pela janela.

O esquema, conforme as investigações, envolvia superfaturamento de obras transformado em propina, paga por empresas de fachada ou por meio de métodos que ocultavam a origem do dinheiro, incluindo laranjas e grande movimentação em espécie.

A segunda fase da operação cumpriu dez mandados de busca e efetuou quatro prisões, incluindo o vice-prefeito de Lauro de Freitas (BA), o secretário de Mobilidade de Vitória da Conquista (BA), um lobista operador do esquema e um policial federal que repassava informações sigilosas ao grupo criminoso.

Na terceira fase, o STF determinou o afastamento do secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, que fora titular da pasta em Salvador entre 2017 e 2020 na gestão de ACM Neto (União Brasil), por indicação do PSDB. Barral foi encontrado com US$ 11,5 mil, € 7.000 e R$ 7.000. Mandados foram cumpridos em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju.

Posteriormente, foi revelado que o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), é sócio desde 2022 do empresário Samuca Silva Franco, que atua em Ilhéus e também foi alvo de busca e apreensão. O prefeito afirmou que sua sociedade em projeto imobiliário não tem relação com as investigações.

A quarta fase focou em emendas do deputado Félix Mendonça para três municípios baianos, com quebra do sigilo telefônico do parlamentar, que negou irregularidades. A investigação indicou que um assessor seria o principal operador financeiro do esquema.

Foram afastados os prefeitos de Ibipitanga (BA), Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira (PT), e de Boquira (BA), Lan Machado França (PSB), que também foram alvo de buscas. O ex-prefeito de Paratinga Marcel Carneiro de Carvalho (PT) foi alvo de buscas e com ele foram encontrados mais de R$ 1 milhão em dinheiro, guardado em gavetas e no escritório conectado a ele.

A quinta fase da operação teve como alvo contratos de 2022 da estatal federal Codevasf, via emendas parlamentares, com Campo Formoso, município do deputado Elmar Nascimento, que não é investigado. Entre os alvos estavam o irmão de Elmar, Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso, seu primo, vereador Francisco Nascimento, o ex-presidente da Codevasf Marcelo Moreira, indicado pelo parlamentar, e Amaury Albuquerque Nascimento, assessor do deputado.

Durante as buscas, a Polícia Federal encontrou cerca de R$ 10 mil em dinheiro dentro de um par de botas em um endereço ligado a Francisco Nascimento.

Na sexta fase, o deputado federal Dal Barreto (União Brasil) foi alvo e teve seu celular apreendido, mas negou irregularidades. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, e apreendidos valores com origem ilícita nas cidades de Salvador, Amargosa e Brasília.

A sétima fase cumpriu seis mandados de busca e teve como alvo aliados de Dal Barreto: o prefeito de Riacho de Santana (BA), João Vítor Laranjeira (PSD), afastado pelo STF, e o prefeito de Wenceslau Guimarães (BA), Gabriel de Parisio (MDB), que também foi alvo de buscas.

Na oitava fase, Luiz França, que nas redes sociais se apresentava como secretário nacional do Podemos, foi investigado. Foram cumpridos cinco mandados em Brasília, São Paulo, Palmas e Guaraí (TO).

Na nona fase, a operação voltou a mirar o deputado Félix Mendonça, com buscas em seu apartamento funcional em Brasília. O STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas para prevenir movimentação ilícita e preservar ativos para possível reparação dos cofres públicos.

Créditos: Folha de S.Paulo

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