Operação Poço de Lobato investiga esquema bilionário de sonegação da Refit
A operação Poço de Lobato revelou um complexo esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo a Refit, antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
Segundo a Receita Federal, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano por meio de empresas próprias, fundos de investimento e offshores localizadas em paraísos fiscais para ocultar lucros.
A investigação indicou que a sonegação de impostos ocorre desde a importação de combustíveis em portos até a venda nos postos de gasolina.
Com sede no Rio de Janeiro e atuação nacional, a Refit foi alvo de buscas em vários estados: Rio, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
Sob comando do empresário Ricardo Magro, o grupo é apontado como o maior devedor de ICMS em São Paulo, o segundo maior no Rio e um dos maiores na União. Até o momento da última atualização, a defesa do grupo não havia se manifestado.
Os promotores detalharam que no centro da fraude está a refinaria, com uma rede de colaboradores entre núcleos internacional, tecnologia, jurídico, fintechs, bancos, distribuidoras e postos, focando em beneficiar um núcleo familiar.
Nenhuma empresa investigada foi mencionada devido ao sigilo do processo.
O promotor Alexandre Castilho afirmou que não houve evidência da participação de facções criminosas.
De 2020 a 2025, foram importados mais de R$ 32 bilhões em combustíveis como nafta, hidrocarbonetos e diesel pelos investigados.
Na operação Cadeia de Carbono, quatro navios da Refit, contendo 180 milhões de litros de combustível, foram retidos. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) interditou a refinaria por irregularidades constatadas.
Em 27 de outubro, a justiça do Rio reabriu a refinaria, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ordenou nova interdição dois dias depois, conforme decisão do presidente Herman Benjamin.
Além das importadoras, a Receita identificou fraudes em todas as etapas até o combustível chegar aos postos.
O dinheiro sonegado foi investido em propriedades, negócios e fundos que dificultam o rastreamento, com inicialmente 17 fundos somando R$ 8 bilhões, número que cresceu para 50 fundos.
A operação envolveu o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (Cira-SP), Receita Federal, Ministério Público, secretarias de fazenda, procuradorias e polícias civil e militar.
A Refit não concedeu entrevistas nesta quinta-feira (27).
Em setembro, a empresa divulgou posicionamento destacando sua trajetória alinhada à qualidade dos combustíveis e negando atuação ilegal, ressaltando emprego de 2.500 funcionários e produção auditada e autorizada pela ANP.
A refinaria afirmou ter sido pioneira na produção de combustível aditivado e gasolina de alta octanagem, além de possuir certificação ISO 9001:2015 para controle rigoroso da produção e distribuição.
A empresa prometeu demonstrar cumprimento das condicionantes da ANP e reverter a suspensão de suas atividades, alegando que a decisão causou impacto injustificado em operações legítimas.
Créditos: g1 Globo