Política
07:06

Operação Rejeito revela ligação entre presos e denúncia contra Duda Salabert

Em novembro do ano passado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) fez uma denúncia contra a deputada federal Duda Salabert (PDT) por suposto uso indevido de recursos do fundo eleitoral. Esta denúncia baseou-se em um dossiê elaborado por presos da Operação Rejeito, ação da Polícia Federal (PF) iniciada na semana passada para investigar supostas fraudes na concessão de licenças ambientais em Minas Gerais.

Interceptações da PF mostram que a denúncia protocolada por Nikolas contra Duda foi elaborada pelo ex-deputado estadual João Alberto Lages, com o auxílio do delegado federal Rodrigo Teixeira, ambos presos na operação. Gilberto Carvalho, apontado como lobista do esquema de corrupção no licenciamento ambiental, também participou do esquema para tentar incriminar Duda, considerada inimiga pelo grupo devido à sua atuação contra a mineração na Serra do Curral. Nas conversas interceptadas, Lages e Gilberto usam termos pejorativos para se referir à deputada.

Gilberto Carvalho, aliado de Nikolas e ligado a lideranças do PL mineiro, recebeu em outubro a tarefa de promover a documentação contra Duda. Em diálogo, Carvalho afirma que entregaria as informações para pessoas capacitadas, conforme orientação de Lages.

As interceptações também revelam que Lages enviou a Rodrigues o protocolo da denúncia contra Duda cerca de uma hora após conversarem, indicando que teria pedido e recebido orientações de Teixeira sobre como proceder com a denúncia feita por Nikolas.

O documento protocolado foi elaborado pelo assessor jurídico de Nikolas, Thiago Rodrigues, que é citado em outra conversa tratando sobre uma mineração a ser apresentada a empresários interessados. A investigação aponta Gilberto Carvalho como responsável pela articulação junto a órgãos ambientais para obtenção ilícita de licenciamento para mineradoras e por tentar barrar na Assembleia Legislativa o projeto de tombamento da Serra do Curral.

Em mensagens grampeadas, Carvalho afirma a Lages que pediria ao deputado Bruno Engler (PL) que solicitasse vista do projeto para atrasar sua tramitação, porém Engler não fez esse pedido.

Gilberto também foi assessor na campanha de 2024 para a Prefeitura de Belo Horizonte da coronel Cláudia Romualdo, vice de Engler, e teve atuação no gabinete do vereador Uner Augusto (PL), que foi suplente de Nikolas na Câmara Municipal. Engler e Uner declaram desconhecer a participação de Carvalho no esquema de fraudes. Nikolas foi o principal apoio de Carvalho na eleição para presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Minas Gerais (Crea-MG).

O assessor jurídico de Nikolas disse que recebeu a denúncia contra Duda no gabinete do deputado — sem identificar o autor — e que encaminhou aos órgãos competentes, conforme prática comum. Ele afirmou atuar como advogado do setor de mineração e ter discutido com Carvalho a venda de uma área para exploração minerária, apresentando-a a interessados legalmente. Também manifestou surpresa com a prisão de Carvalho, mas acredita em sua inocência.

A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos presos e mantém o espaço aberto para manifestações.

Na denúncia, Nikolas afirma que Duda teria utilizado recursos da campanha eleitoral para remunerar ex-assessores. Duda declarou que suas contas de campanha foram aprovadas sem irregularidades e classificou a denúncia como uma tentativa da “máfia da mineração” de intimidá-la devido às suas denúncias contra irregularidades no setor. Ela relatou também que sofreu ameaças de morte e que sua família foi ameaçada por esses criminosos devido às suas denuncias sobre o roubo de minério na Serra do Curral.

Créditos: Estado de Minas

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