Economia
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Ouro representa 24,6% das exportações do RN e impulsiona setor mineral

Ouro representa 24,6% das exportações do RN e impulsiona setor mineral

O crescimento das exportações de ouro elevou a mineração a um novo patamar na economia do Rio Grande do Norte, mas a continuidade dessa expansão necessita de investimentos que vão além da simples extração do minério.

Segundo representantes do Sindiminerais-RN, fatores como pesquisa geológica, disponibilidade hídrica, tecnologia para beneficiamento e licenciamento ambiental são essenciais para transformar jazidas em empreendimentos produtivos e geradores de receita para os municípios.

No primeiro semestre de 2026, o Rio Grande do Norte exportou US$ 157,5 milhões em ouro, correspondendo a 24,6% do total das suas vendas externas. Este desempenho colocou o estado na sexta colocação entre os maiores exportadores brasileiros do metal, conforme levantamento do Sebrae-RN.

Em entrevista ao programa Tribuna Livre, da Jovem Pan News Natal, em 31 de julho, o presidente do Sindiminerais-RN, Mário Tavares, e a doutora em mineração e assessora da entidade, Maria Clara Negreiros Cavalcante, afirmaram que esse resultado evidencia potencialidades conhecidas há décadas, mas que requeriam investimento e soluções técnicas para serem aproveitadas.

Maria Clara destacou que a mera existência do minério não garante viabilidade econômica, sendo necessário resolver limitações de infraestrutura e processamento. Tavares explicou que, anteriormente, as operações se restringiam às camadas superficiais das jazidas, onde a rocha apresenta características alteradas pela ação do tempo e da água, chamadas de intemperizadas.

Faltavam recursos e tecnologia para explorar as camadas rochosas menos alteradas em profundidade. A chegada de investidores com capacidade técnica e financeira permitiu superar essa fase e ampliar a produção.

Para ilustrar a complexidade do processamento, o presidente do sindicato exemplificou que para obter um grama de ouro é necessário processar uma tonelada de rocha, ressaltando que essa comparação foi apenas ilustrativa e não representa o teor médio de uma mina específica.

Além dos equipamentos para extração, essa relação demanda estrutura para britagem, tratamento e concentração do minério. No semiárido, a disponibilidade de água representa um desafio adicional.

Maria Clara citou o uso de esgoto tratado em Currais Novos como exemplo de investimento que resolve simultaneamente uma necessidade industrial e um problema urbano. A empresa envolvida investiu em tecnologia para tratar o esgoto da cidade e assim obter água para o beneficiamento do ouro.

O Projeto Borborema conta com a participação da Aura Minerals, Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) e da prefeitura. O efluente urbano tratado é reutilizado como fonte de água industrial, contribuindo para reduzir a pressão sobre os recursos hídricos locais.

Para a assessora, esse exemplo demonstra que parte do investimento necessário à mineração ultrapassa a extração, englobando soluções para água, energia, transporte e infraestrutura urbana.

No entanto, o uso de água de reúso não significa que todo o município está completamente saneado.

A entrevista foi publicada na edição do dia 1º de agosto do jornal O Correio de Hoje.

Créditos: Agora RN

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