Economia
09:05

Parlamentares da UE pedem fim de acordo com EUA após ameaças tarifárias sobre Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não apenas ameaçou adquirir a Groenlândia, mas também sugeriu a aplicação de tarifas contra países que se opõem à anexação do território. Essas ameaças tarifárias geram dúvidas sobre os acordos comerciais estabelecidos pelos EUA com a Grã-Bretanha, firmados em maio, e com a União Europeia, em julho.

No domingo, a União Europeia enfrentou apelos para ativar o “Instrumento Anticoerção”, um mecanismo econômico inédito, em resposta às ameaças tarifárias de Trump contra aliados europeus devido à disputa pela Groenlândia.

No sábado, Trump anunciou que aumentaria tarifas gradualmente sobre membros da UE, Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Reino Unido e Noruega, até que os EUA obtenham permissão para comprar a Groenlândia, intensificando o conflito em torno da ilha ártica dinamarquesa.

Todos esses países, que já têm tarifas de 10% e 15%, mantêm pequena presença militar na Groenlândia.

O Chipre, atual porta-voz rotativo da UE, convocou embaixadores para reunião emergencial em Bruxelas no domingo.

As ameaças de Trump ocorreram no momento em que a UE assinava seu maior acordo comercial com o Mercosul, no Paraguai, evento considerado por Von der Leyen como um sinal forte para o mundo.

Nas redes sociais, deputados europeus criticaram as novas tarifas e pediram a suspensão do acordo comercial entre EUA e UE.

Bernd Lange, parlamentar europeu, classificou as tarifas como inaceitáveis e como uso do comércio para coerção política, afirmando que a UE não pode simplesmente continuar os negócios como antes.

Lange solicitou: 1) suspensão dos procedimentos no Parlamento Europeu referentes ao acordo de Turnberry até cessarem as ameaças; 2) ativação imediata do Instrumento Anticoerção pela Comissão Europeia, criado para situações como esta.

A votação para remoção de várias tarifas da UE, prevista para 26 e 27 de janeiro, foi temporariamente adiada, conforme declaração do líder do Partido Popular Europeu, Manfred Weber.

Roberta Metsola, também do Parlamento Europeu, declarou apoio à Dinamarca e à Groenlândia, alertando que as medidas tarifárias americanas contra aliados da OTAN não aumentarão a segurança no Ártico e podem incentivar inimigos comuns.

Segundo a Reuters, o presidente francês Emmanuel Macron está articulando uma resposta europeia e pressionando pela ativação do Instrumento Anticoerção, que pode restringir o acesso dos EUA a licitações públicas da UE ou limitar o comércio de serviços em setores nos quais os EUA têm saldo positivo.

Parlamentares como Lange e Valerie Hayer, além da associação alemã de engenheiros, também pedem a ativação do mecanismo.

Alguns diplomatas da UE, contudo, consideram que agravar o conflito não é oportuno no momento.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, próxima a Trump, chamou a ameaça de tarifas de “erro”, relatando ter conversado com o presidente americano a respeito e planejando contatar outros líderes europeus. A Itália não contribuiu com tropas para a Groenlândia.

Questionada sobre a posição do Reino Unido, a Secretária de Cultura Lisa Nandy afirmou que os aliados devem colaborar com os EUA para solucionar a disputa, ressaltando que a posição britânica sobre a Groenlândia é inabalável e que é interesse coletivo evitar uma escalada verbal.

Créditos: CNN Brasil

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