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Participação de Milly Lacombe em feira literária é cancelada em São José

A participação da jornalista Milly Lacombe na Festa Litero Musical (Flim), realizada no Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos, foi cancelada após repercussão de declarações feitas por ela ao podcast “Louva a Deusa” no fim de julho, nas quais criticou o conceito de família tradicional.

Milly Lacombe havia sido convidada pela Associação para o Fomento da Arte e da Cultura (AFAC), responsável pela gestão do parque, para participar da mesa de abertura da FLIM 2025.

O prefeito Anderson Farias (PSD) anunciou na tarde de 16 de setembro o cancelamento da participação da jornalista no evento.

Em vídeo publicado na noite do mesmo dia, Milly afirmou que sofreu ameaças por parte de extremistas e que participar da feira representaria um risco à sua segurança. Ela classificou como uma derrota o fato de não poder comparecer ao evento.

“Eu ia para a feira fazer uma mesa muito linda, o tema era nós e o outro, com Cuti e Xico Sá, amigos e escritores renomados. Mas um trecho da minha entrevista para um podcast foi manipulado, tirado de contexto e usado para alimentar ódio da extrema-direita, o que transformou minha participação em risco à minha segurança”, explicou.

Milly também relembrou sua trajetória como mulher lésbica que cresceu em uma família tradicional, ressaltando as dificuldades enfrentadas por pessoas LGBTQIAP+ na sociedade e dentro das próprias famílias.

Ela detalhou que seu comentário sobre a família tradicional brasileira abordava questões de gênero e exclusão, mas que foi mal interpretado nas redes, onde houve cortes e manipulações do conteúdo original.

A jornalista destacou a importância da acolhida de crianças LGBTQIAP+ e a necessidade de um conceito de família que respeite a diversidade e a opinião contrária, e lamentou a repercussão negativa que levou ao cancelamento.

Em reação, o escritor Xico Sá e a equipe de curadoria da Flim anunciaram a saída da festa literária em protesto contra a censura à participação de Milly Lacombe. Eles expressaram indignação e revolta pela decisão arbitrária que inviabilizou sua permanência no evento.

A curadoria afirmou ter se dedicado por um ano à organização da festa, cujo tema era “Eu sou porque nós somos”, e repudiou o impedimento da jornalista, enfatizando a importância do diálogo e do pensamento crítico.

A Associação para o Fomento da Arte e da Cultura (AFAC) declarou respeito pela decisão da curadoria, afirmando que continuará trabalhando para a realização da festa.

Embora o prefeito tenha afirmado que a decisão de cancelamento teve como objetivo unir e não dividir através da cultura, a polêmica provocou críticas na cidade.

Uma reunião online realizada em 15 de setembro entre a curadoria e os três convidados da mesa de abertura, Milly Lacombe, Xico Sá e Cuti, discutiu o evento antes do anúncio do cancelamento.

Além disso, nos dias anteriores, vereadores da Câmara Municipal se manifestaram publicamente criticando a participação da jornalista na Flim. O líder do governo na Câmara e o prefeito afirmaram ter discutido a situação juntos.

A AFAC relatou que a decisão de cancelar a participação da jornalista foi tomada em comum acordo para preservar a integridade de todos os envolvidos, e ressaltou que a associação não compactua com manifestações que fogem da promoção da cultura, música e literatura, focos da FLIM.

O podcast “Louva a Deusa” e a jornalista não responderam aos contatos da reportagem para comentar o ocorrido.

A FLIM é reconhecida como o maior evento literomusical do Vale do Paraíba e um dos principais do interior paulista, promovendo arte, cultura e um impacto positivo no comércio local, atraindo milhares de visitantes.

Créditos: g1 Vale do Paraíba e Região

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