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09:06

PCC usa cerca de 60 motéis para lavagem de dinheiro em São Paulo, dizem Receita e MP

A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) identificaram uma rede com aproximadamente 60 motéis registrados em nomes de laranjas que é utilizada pelo PCC para lavagem de dinheiro oriundo do crime organizado. Entre 2020 e 2024, esses motéis movimentaram mais de R$ 450 milhões.

As investigações integram a Operação Spare, deflagrada em 25 de setembro, que mira o esquema ilegal do grupo nos setores de combustíveis e jogos de azar.

Conforme a Receita Federal, os motéis colaboraram para o aumento do patrimônio dos sócios envolvidos com o crime, distribuindo R$ 45 milhões em lucros e dividendos.

Além disso, os investigadores destacaram operações imobiliárias feitas pelos CNPJs vinculados a integrantes da organização criminosa, como a aquisição de imóveis avaliados em R$ 1,8 milhão em 2021 e R$ 5 milhões em 2023.

A Operação Spare é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que revelou movimentações do PCC dentro de fintechs associadas ao sistema financeiro da Faria Lima.

O nome da operação, “Spare”, vem do termo do boliche que significa derrubar todos os pinos após dois arremessos no mesmo turno.

Nas fiscalizações, foram identificados 21 CNPJs relacionados a 98 estabelecimentos de uma mesma franquia, todos vinculados a alvos da operação. Embora estejam em funcionamento, essas empresas apresentaram indícios de lavagem de dinheiro.

De 2020 a 2024, essas empresas movimentaram cerca de R$ 1 bilhão, porém emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais, recolhendo R$ 25 milhões em tributos federais – equivalente a 2,5% da movimentação financeira. Foram distribuídos R$ 88 milhões em lucros e dividendos aos sócios.

A Receita Federal informa que os recursos obtidos permitiram a aquisição de imóveis e bens valiosos, direta ou indiretamente, e que os bens encontrados representam aproximadamente 10% do patrimônio real dos envolvidos.

Entre os principais alvos está o empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, apontado como chefe do esquema de venda de combustíveis adulterados. Ele é suspeito de lavar dinheiro do crime organizado por meio de postos de combustíveis e associados.

Ao menos 267 postos ligados a ele movimentaram mais de R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais, cerca de 0,1% do total movimentado, um percentual muito abaixo do esperado no setor. Também foram identificadas administradoras de postos com movimentação de R$ 540 milhões no período.

A investigação apontou ainda um padrão de retificações simultâneas de declarações de Imposto de Renda antigas e recentes, com inserção irregular de altos valores em declarações mais antigas, próximo ao prazo de decadência, sem inclusão dos rendimentos correspondentes ou pagamento de impostos, configurando tentativa de disfarçar a origem ilícita do patrimônio.

Com esse artifício, membros da família do principal investigado aumentaram seu patrimônio declarado em cerca de R$ 120 milhões (valores atualizados).

A Operação Spare cumpriu 25 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (19), Santo André (2), Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco.

A ação contou com a participação de 64 servidores da Receita Federal, 28 do Ministério Público de São Paulo (Gaeco), representantes da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e cerca de 100 policiais militares.

Durante as investigações, foram identificadas conexões entre os alvos da Spare e indivíduos envolvidos em outras operações contra o crime organizado, incluindo a Carbono Oculto e a Rei do Crime, por meio de transações comerciais, imobiliárias, uso compartilhado de helicópteros e reservas conjuntas para viagens internacionais.

Além dessas ações, a Receita Federal deflagrou a Operação Cadeia de Carbono, que resultou na apreensão de cargas de petróleo e derivados avaliadas em cerca de R$ 240 milhões, suspeitas de terem origem em recursos sem comprovação, importadas por empresas sem justificar a fonte dos recursos.

Em 24 de setembro, foi publicada uma portaria para intensificar o combate a fraudes em operações de importação.

A Receita reafirmou seu compromisso em assegurar a regularidade das importações de petróleo e derivados, protegendo a economia nacional ao excluir empresas e pessoas que atuam de forma irregular, seja por sonegação ou lavagem de dinheiro.

Créditos: g1

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