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18:09

PCC usou mais de 60 motéis em SP para lavar R$ 450 milhões, diz operação

Além de postos de combustíveis, a Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira, descobriu uma lista de motéis em São Paulo que seriam usados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) para lavar dinheiro do crime organizado.

O alvo da ação foi o empresário Flávio Silvério Siqueira. A Receita Federal e o Ministério Público cumpriram ontem 25 mandados de busca e apreensão ligados a ele nas cidades de São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco.

Ele é investigado por operar uma “complexa rede” que colabora para a lavagem de dinheiro da facção. Segundo os órgãos investigadores, por meio de pessoas relacionadas, ele comanda lojas de franquias, motéis e empreendimentos imobiliários ligados ao PCC.

Mais de 60 motéis foram identificados. A maioria está em nome de laranjas e teve uma movimentação de R$ 450 milhões entre 2020 e 2024. Os estabelecimentos distribuíram R$ 45 milhões em lucros e dividendos para sócios, que tiveram seus patrimônios aumentados significativamente.

Até restaurantes dentro dos motéis são suspeitos de participação no esquema. Ainda de acordo com a Receita Federal, um deles distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros após registrar receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023.

Compras feitas pelos CNPJs dos motéis chamaram a atenção. Um deles adquiriu um imóvel de R$ 1 milhão em 2021, outro comprou um imóvel de R$ 5 milhões em 2023. Além deles, um terceiro obteve um iate de 23 metros e depois o transferiu para uma empresa de fachada.

Crime foi descoberto após maquininhas de cartão ligadas a postos serem encontradas em casas de jogos de azar em Santos. Na ocasião, os donos dos estabelecimentos afirmaram que desconheciam a conta que recebia os valores.

Ao menos R$ 859.151 foram recebidos por um dos postos investigados, segundo a investigação do Gaeco. O valor, de transações de cartão na maquininha, era diretamente transferido para a BK Bank.

Investigadores descobriram que o mesmo número de abertura de conta da BK Bank, alvo de operação do MP no dia 28 de agosto, constava no cadastro dos postos de gasolina. O dado foi conseguido após quebra de sigilo e com ajuda do banco onde os postos estavam cadastrados.

A fintech usada para lavar o dinheiro é a mesma que foi usada pelos suspeitos presos na megaoperação Carbono Oculto. Assim, a ação de ontem é um desdobramento da deflagrada em 28 de agosto. As investigações apontam sonegações de até R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.

“O elo [entre as operações] é exatamente a fintech. Naquela operação [Carbono Oculto], eram mais de 1.200 postos de gasolina. Desta vez, quase 100 estabelecimentos de rede grande de franquias no Brasil que também eram utilizadas nesse esquema.” Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal

O UOL entrou em contato com 12 motéis que tiveram seus nomes divulgados em um documento do Tribunal de Justiça de São Paulo. Até o momento, não houve retorno, mas o espaço segue aberto para manifestação.

O UOL busca a defesa de Flávio. Ontem, a BK Bank declarou que colabora com as investigações e informou que “não houve cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços da empresa.”

O escritório Fernando José da Costa Advogados, responsável pela defesa do BK Bank, ressalta que o BK Bank é regulado e autorizado pelo Banco Central do Brasil, não possuindo qualquer relação com o crime organizado ou com as pessoas apontadas como investigadas. A instituição reafirma, por fim, que vem colaborando integralmente com as autoridades competentes.Defesa do BK Bank, em nota enviada ao UOL

Créditos: UOL

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