PEC da Bandidagem domina redes após aprovação da PEC da Blindagem na Câmara
O termo “PEC da Bandidagem” tornou-se o assunto mais comentado no X (antigo Twitter) no Brasil depois que a Câmara aprovou uma alteração na Constituição que dificulta investigações contra parlamentares e presidentes de partidos suspeitos de crimes.
Essa expressão crítica das redes sociais refere-se à chamada PEC da Blindagem, que impede que deputados e senadores sejam investigados e julgados criminalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nas últimas 24 horas, o termo recebeu mais de 1,3 milhão de menções, segundo monitoramento realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.
Além do termo principal, outras expressões relacionadas à PEC também figuraram entre os trending topics. “PEC da Blindagem” ficou em segundo lugar, com 965 mil menções. “Câmara” apareceu em terceiro, com 800 mil citações, e “PEC da impunidade” ocupou a 5ª posição, com 843 mil menções. Outros termos populares incluíram “IR isento já” (6º lugar, 523 mil menções) e “Congresso inimigo do povo” (9º lugar, 232 mil citações). A ordem dos trending topics considera variáveis além do volume de citações, como novidade.
O nome de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, também apareceu entre os termos mais citados. Segundo a Nexus, o pico de debates sobre a aprovação da PEC ocorreu às 22h do dia anterior, após a aprovação em dois turnos na Casa.
A reação à PEC da Blindagem nas redes superou a manifestada na crise do IOF. Uma amostra de 438 mil publicações em português, feitas por cerca de 60 mil usuários entre ontem e hoje de manhã, gerou 33 milhões de impressões (quantidade de vezes que os conteúdos foram visualizados).
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, observa que isso indica forte oposição da sociedade à proposta e prevê maior desgaste para o Congresso Nacional, que já enfrenta baixa aprovação.
O alcance das publicações excede em 134% o engajamento observado na crise do IOF, ocorrida em julho, quando o Congresso derrubou um decreto do presidente Lula que elevava a alíquota do imposto, gerando reações do governo, da base aliada e parte da sociedade civil.
Com a PEC, parlamentares só poderão ser investigados mediante autorização do próprio Congresso. Para abertura de processo, exige-se votação por maioria absoluta na Câmara ou no Senado — ou seja, 50% dos votos da Casa mais um. As Casas terão até 90 dias para decidir, a partir de pedido do STF.
Também somente poderão ser presos com anuência dos pares, novamente por maioria absoluta, respeitando o prazo de 90 dias. Atualmente, a prisão já requer autorização do Senado ou da Câmara.
A proposta ainda precisará ser votada no Senado. Na Câmara, foi aprovada no primeiro turno por 353 votos a 134, e no segundo por 344 a 133; eram necessários ao menos 308 votos em cada.
Segundo o relator Cláudio Cajado (PP-BA), há acordo para que o Senado vote a PEC ainda nesta semana. Após aprovação nas duas Casas, o texto será promulgado sem necessidade de sanção presidencial.
Créditos: noticias.uol