Política
06:02

PEC da Blindagem chega ao Senado sob rejeição e estratégia discreta de Alcolumbre

O Senado prepara-se para tentar encerrar a tramitação da PEC da Blindagem, aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados e alvo de fortes críticas populares e nas redes sociais. A proposta, que amplia a proteção parlamentar contra investigações criminais, será avaliada em 24 de agosto pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com parecer contrário do relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Apesar de ter assumido compromisso, em conversas reservadas com o presidente Lula (PT), de bloquear o avanço da PEC, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem evitado posicionar-se publicamente contra a medida. Sua estratégia é deixar para a CCJ expressar a rejeição, permitindo que o Senado defina institucionalmente sua resposta. O cálculo de Alcolumbre visa preservar seu capital político diante de um tema altamente impopular.

Nos bastidores, essa postura é considerada decisiva. Aliados do senador negam acordos prévios com a Câmara, enquanto aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmam que os senadores recuaram diante da pressão popular – especialmente após os grandes protestos de 21 de agosto, que mobilizaram dezenas de milhares em várias capitais.

Essa movimentação no Senado contrasta com a da Câmara, que chegou a ser criticada, inclusive por integrantes do Centrão, por aprovar o texto de forma isolada e sem alinhamento com a outra Casa. Agora, senadores entendem que rejeitar abertamente a PEC, ao invés de apenas arquivá-la, é uma forma de atender às demandas sociais e distanciar-se de iniciativas consideradas corporativistas.

O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), já afirmou que o objetivo da comissão é “sepultar” a proposta para impedir que ela avance ao plenário. Se confirmado, isso representará uma derrota simbólica para o bolsonarismo no Congresso e uma vitória para a estratégia de Alcolumbre, que evita exposição direta e concentra o desgaste na Câmara dos Deputados.

Créditos: CartaCapital

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