Internacional
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Petro afirma estar disposto a pegar em armas após ameaças de Trump à Colômbia

O presidente colombiano Gustavo Petro declarou que estaria disposto a “pegar em armas” diante das recentes ameaças feitas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra seu governo. A declaração ocorreu em meio a uma escalada de tensão entre Washington e Bogotá, agravada após a operação militar americana que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.

Petro, ex-guerrilheiro do grupo M-19, publicou no X que jurou não voltar a empunhar uma arma, mas que, pela pátria, retomaria o armamento. Ele tem sido alvo frequente de acusações verbais de Trump, que o acusa sem apresentar provas de envolvimento com narcotráfico.

No domingo, Trump disse a jornalistas no Air Force One que a Colômbia é governada por “um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Quando questionado sobre a possibilidade de uma operação militar americana na Colômbia, similar à que ocorreu na Venezuela, afirmou que isso “soa bem para mim”.

Essas declarações se juntam a outras recentes. No sábado, horas após a captura de Maduro, Trump afirmou que Petro estaria produzindo cocaína e enviando-a para os EUA, recomendando que cuidasse de sua própria segurança. Em dezembro, Trump já havia alertado que Petro deveria “andar com cuidado” devido a supostas “fábricas de cocaína”.

O endurecimento da política externa americana inclui também a defesa pelo controle dos EUA sobre a Groenlândia e advertências ao governo de Cuba. A Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump, publicada em dezembro, tem como objetivo restaurar a “preeminência americana no Hemisfério Ocidental”.

Petro reagiu criticando a operação americana na Venezuela e classificou a captura de Maduro como um sequestro ilegal, afirmando que o ato representa uma destruição do Estado de Direito global. Ordenou ainda que qualquer comandante das forças de segurança que prefira a bandeira dos EUA à da Colômbia seja afastado. Além disso, convocou a população a defender o governo contra ações violentas ilegítimas.

O presidente colombiano também nega envolvimento com narcotráfico, afirmando que seu nome não consta em nenhum arquivo judicial sobre o tema em 50 anos, e pediu que Trump cesse as calúnias. Segundo Petro, as ameaças americanas seriam retaliação a uma manifestação que liderou em Nova York em setembro de 2025, criticando o apoio dos EUA à ofensiva de Israel em Gaza. Após o protesto, os EUA revogaram seu visto diplomático.

A tensão entre Petro e Trump vem desde o início de 2025, com episódios como a devolução de um avião com migrantes deportados algemados da Colômbia, o que gerou ameaças comerciais de Washington. Embora diplomacia e contatos militares tenham sido mantidos, o governo americano ampliou a pressão direta contra Petro, incluindo sua inclusão, sem provas, em uma lista do Departamento do Tesouro associando-o ao narcotráfico.

Durante o governo de Petro, houve aumento dos cultivos de coca na Colômbia, fato contestado pelo presidente. Analistas atribuem o crescimento principalmente ao enfraquecimento da política de paz e ao fortalecimento de grupos armados envolvidos no tráfico, não a uma ligação direta do presidente.

A Casa Branca, entretanto, intensifica seu discurso contra o governo da Colômbia.

Créditos: O Globo

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