PF investiga ligação do crime organizado com metanol em bebidas; Tarcísio nega PCC
A Polícia Federal anunciou que investigará se há envolvimento do crime organizado na adulteração de bebidas alcoólicas com metanol. No entanto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou a participação do PCC nessa situação.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou em coletiva de imprensa que as apurações buscam identificar a origem do metanol usado para adulterar as bebidas e se há conexão com o crime organizado. Ele mencionou que essa possível ligação está relacionada a investigações sobre a importação da substância pelo porto de Paranaguá.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que sinais indicam que a distribuição do produto adulterado extrapola os limites de São Paulo. Foi instaurado um inquérito na PF para apurar a procedência do metanol e a possível rede de distribuição.
Em entrevista separada, Tarcísio contestou a hipótese da PF sobre o envolvimento do PCC, afirmando que os inquéritos conduzidos no estado apontam para suspeitos sem vínculo com a facção. O secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), também afirmou que a conexão com o PCC está totalmente descartada.
A Associação Brasileira do Combate à Falsificação levantou a suspeita do envolvimento do PCC, alegando que o metanol utilizado nas bebidas adulteradas pode ser o mesmo importado ilegalmente pela facção para adulteração de combustíveis, conforme revelado nas operações Carbono Oculto e Cadeia de Carbono da PF.
Há divergências sobre o número de casos registrados. Segundo o governo federal, seis casos foram confirmados na capital paulista e outros dez estão sob investigação, distribuídos em São Paulo, São Bernardo do Campo, Limeira, Itapecerica da Serra e uma cidade não informada.
Já o governo estadual afirma haver 22 casos, sendo 7 confirmados e 15 em apuração. Em relação aos óbitos, das cinco mortes com sintomas de intoxicação por metanol, apenas uma foi confirmada, enquanto quatro seguem em investigação.
O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e o governo federal confirmaram três mortes por intoxicação: três homens com idades de 38, 45 e 48 anos.
Os casos envolvem o consumo de diversas bebidas alcoólicas, como gim, uísque e vodca, em bares e adegas cujos nomes permanecem em sigilo.
O metanol é uma substância tóxica e inflamável, presente em produtos como anticongelantes e removedores de tinta. Sua ingestão é nociva à saúde, podendo causar sintomas graves como náusea, vômito, dor de cabeça, visão turva, cegueira, convulsões, coma, danos permanentes ao sistema nervoso e até a morte, mesmo em pequenas quantidades, dependendo da dose e da resposta do organismo.
Créditos: UOL Notícias