PF prende aliado de Bolsonaro e Nikolas por esquema de fraude ambiental em MG
Nesta quarta-feira, 17, a Polícia Federal deflagrou a Operação Rejeito, que investiga uma rede criminosa dedicada à fraude de licenças ambientais, corrupção de servidores e lavagem de bilhões em Minas Gerais, por meio da exploração ilegal de minério em áreas protegidas.
Entre os 21 presos preventivamente está Gilberto Henrique Horta de Carvalho, geógrafo de 38 anos ligado ao PL (Partido Liberal) e apoiado por figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira. Em 2023, Carvalho foi candidato ao conselho do Crea-MG (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais), recebendo manifestações públicas de apoio também de outros políticos conservadores.
Segundo as investigações da PF, Carvalho atuava desde antes da eleição em uma organização criminosa que gerou lucros estimados de R$ 1,5 bilhão, com projetos avaliados em R$ 18 bilhões. Vídeos de Bolsonaro e Nikolas pedindo votos a Carvalho destacam sua associação à direita e a tentativa de romper um domínio da esquerda no órgão em questão.
A Justiça Federal determinou a prisão preventiva de Carvalho, bloqueio de seus bens e a suspensão das empresas em que ele era sócio. A Operação Rejeito segue com buscas em órgãos públicos e escritórios em Belo Horizonte, e os presos poderão responder por vários crimes, incluindo ambientais, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações, às quais a Repórter Brasil teve acesso, revelam cinco anos de atividades do grupo. Uma fase inicial intitulada Poeira Vermelha, em 2020, identificou exploração mineral irregular em áreas tombadas e unidades de conservação na Serra do Curral, importante símbolo local.
Houve vazamento de informações sigilosas que prejudicaram as diligências policiais, com alertas prévios aos investigados, que destruíram provas. Entre 2021 e 2022, a organização expandiu suas mineradoras por meio de empresas sobrepostas, arrecadando ilegalmente cerca de R$ 300 milhões segundo o Ministério Público Federal.
Em 2023, mesmo durante a disputa eleitoral no Crea-MG, Carvalho continuou envolvido nas negociações, recebendo estudos de projetos, como uma mineradora em Ouro Preto com uma barragem classificada entre as mais perigosas do país. Conversas indicavam a preocupação com cláusulas que transferiam responsabilidades e o envolvimento de um delegado da PF.
No início de 2024, foi criada nova empresa para obter licenças ambientais e explorar áreas mineiras, com nomes ligados a Carvalho entre os sócios. O objetivo era ampliar as operações e proteger os investigados.
Em 2025, a Justiça confirmou o risco grave da barragem, e em junho, a PF descobriu tentativas de interferir nas investigações, monitoramento de autoridades do Judiciário e Ministério Público, e destruição de provas.
Carvalho é apontado como sócio articulador do grupo, intermediando contratos e encontros com autoridades, enquanto a rede controlava diversas mineradoras. Na Serra do Curral, violações de regras de tombamento e ausência de análises de órgãos patrimoniais ocorreram, com suposta atuação de servidores federais e estaduais para liberar processos irregulares.
Mensagens indicam ainda a manipulação de normas da Agência Nacional de Mineração (ANM), discutindo a releitura de resolução sobre pilhas de rejeito estéril para benefício do grupo, com pagamentos condicionados a essa alteração. Carvalho participou dessas negociações.
O esquema financeiro envolvia uma rede de empresas, com uma delas registrando mais de R$ 4 bilhões em receitas brutas entre 2019 e 2024, e repasses em valores de aproximadamente R$ 1 bilhão para Carvalho.
Além de empresários, servidores públicos foram presos por facilitar aprovações ilegais. Operadores financeiros e gestores de empresas de fachada também foram mencionados, assim como o monitoramento de autoridades judiciais e do Ministério Público.
A investigação e as prisões fazem parte da Operação Rejeito, que continua em andamento para desarticular esta complexa rede criminosa.
Créditos: CartaCapital