PF prende diretores da ANM por esquema bilionário de mineração ilegal em MG
Nesta quarta-feira (17), a Polícia Federal (PF) efetuou prisões preventivas de dois diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Trivellato Seabra Filho e Guilherme Santana Lopes Gomes, além do gerente regional Leandro César Ferreira de Carvalho. A ação integra a Operação Rejeito, que investiga uma organização criminosa envolvida na exploração e comercialização ilegal de minério de ferro em Minas Gerais.
De acordo com o relatório da PF, há corrupção sistêmica e uma estrutura criminosa profissional em Minas Gerais, que mediante pagamento de propinas e fraudes, executa projetos minerários que causam séria degradação ambiental, inclusive em áreas de relevante interesse histórico e ambiental para a sociedade mineira.
Também foram detidos Rodrigo Gonçalves Franco, presidente da Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM), e Arthur Ferreira Rezende Delfim, diretor da fundação. Ao todo, foram emitidos seis mandados de prisão preventiva para servidores, enquanto buscas e apreensões ocorrem em residências, locais comerciais e imóveis vinculados a 31 investigados. As buscas incluem ainda os gabinetes na ANM em Brasília, na FEAM, no Instituto Estadual de Florestas (IEF) e em unidades regionais da FEAM.
A investigação aponta que os projetos ilegais da organização têm previsão de lucro superior a R$ 10 bilhões e que o dano potencial para a União ultrapassa R$ 18 bilhões. A expansão da ação criminosa ocorreu pela inclusão de novos projetos minerais ilegítimos, viabilizados pela cooptação de agentes públicos, que recebiam vantagens indevidas.
A PF destacou que as prisões preventivas são essenciais devido ao papel relevante dos investigados na organização criminosa, sendo essa a única forma de desmontar o esquema e impedir a continuidade das atividades ilícitas. A liberdade dos envolvidos poderia facilitar a destruição de provas.
O inquérito apura crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, crimes ambientais e contra a ordem econômica.
A ANM informou que tomou conhecimento da operação por meio da imprensa e que não recebeu comunicação oficial sobre medidas envolvendo seus servidores ou dirigentes. Reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a cooperação com as autoridades respeitando o devido processo legal e a continuidade dos serviços regulatórios.
Créditos: Valor Globo