PM de SP aposenta tenente-coronel suspeito de feminicídio com salário integral

A Polícia Militar de São Paulo publicou em 2 de abril de 2026 uma portaria declarando inativo o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso acusado de feminicídio pela morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.
Segundo a portaria assinada pela Diretoria de Pessoal da PM, Geraldo Neto tem direito à aposentadoria proporcional pela idade, com vencimentos integrais. Isso significa que mesmo aposentado, ele continuará recebendo um salário que, em fevereiro de 2026, antes da prisão, foi de R$ 28,9 mil brutos, conforme dados do Portal da Transparência do Governo de São Paulo. Com os critérios proporcionais à sua idade de 53 anos, a aposentadoria deve ser próxima a R$ 21 mil.
O pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio tenente-coronel. A PM esclarece que essa aposentadoria não impede o processo de expulsão da corporação, que está sendo conduzido pela Corregedoria. Fontes indicam que, ao se aposentar, ele pode perder a patente, mas não o direito à aposentadoria adquirida.
A investigação aponta que Geraldo Neto teria forjado a morte da esposa, encontrada baleada na cabeça em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente ele alegou suicídio, mas perícias e laudos indicam inconsistências na sua versão. Ele foi preso preventivamente em 18 de março e está detido no Presídio Militar Romão Gomes.
Segundo a polícia, o celular da vítima foi desbloqueado e mensagens apagadas pelo tenente-coronel minutos após o disparo, com registros indicando que a última mensagem enviada por Gisele foi relacionada a um pedido de divórcio.
Testemunhas na PM relataram episódios de agressividade e comportamento controlador do tenente-coronel contra a esposa, que se manifestava em atitudes como sufocamento e pressão física dentro do quartel e fora dele. Gisele teria mudado seu comportamento de forma visível na presença do marido, apresentando-se mais tensa e reservada.
Laudos periciais e a reprodução simulada do crime indicam que Geraldo teria segurado a cabeça de Gisele para atirar nela, derrubando a versão de suicídio, e que também manipulou a cena para simular essa hipótese, o que configura fraude processual.
O Ministério Público solicitou que, em caso de condenação, seja fixada uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima.
A defesa nega as acusações, questiona a jurisdição da Justiça Militar e afirma que o tenente-coronel colaborou com as investigações.
O Tribunal de Justiça Militar afirmou que a prisão preventiva está fundamentada no fato de o crime ter sido cometido contra outro membro da corporação, sua esposa.
Este é o primeiro caso desde 2015 de um oficial da PM de São Paulo preso por feminicídio. Em 20 de março, o Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de liberdade da defesa.
Em audiência de custódia, o tenente-coronel manteve a versão de suicídio e afirmou que a arma usada pertencia ao casal e foi apreendida no local.
O escritório de advocacia que o representa declarou que o oficial se dispôs a colaborar com as investigações e que confia na atuação das autoridades, afirmando ainda que aguarda esclarecimentos completos sobre o caso.
A Polícia Militar reafirma o compromisso com a legalidade, disciplina e preservação dos valores da atividade policial militar, destacando que o inquérito está na fase final para ser encaminhado ao Judiciário.
Créditos: g1