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Polícia de SP investiga uso de metanol para limpar garrafas de bebida falsa

A Polícia Civil de São Paulo está investigando uma linha de atuação que aponta que integrantes de quadrilhas que vendem bebidas falsas podem estar usando metanol para limpar as garrafas onde colocam o líquido, e não necessariamente para aumentar o volume da bebida.

Ao utilizar a substância tóxica para a limpeza dos recipientes e não enxaguá-los adequadamente, restos de metanol podem permanecer nas garrafas, contaminando o conteúdo.

“É possível que o modo precário de limpeza e o resíduo de metanol que fica nas garrafas intoxique a bebida adulterada nela colocada a ponto de causar cegueira ou morte”, explicou à coluna o delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian.

A investigação aponta que coletores visitam restaurantes e bares para comprar garrafas originais de bebidas nobres, como gin Tanqueray, uísque Johnnie Walker e vodca Absolut. Essas garrafas são então vendidas para destilarias clandestinas que as utilizam no esquema de falsificação.

Essas embalagens verdadeiras são essenciais para que os consumidores não percebam a adulteração. Os coletores fazem a limpeza das garrafas, e alguns podem estar usando metanol nesse processo, seja nessa etapa ou já nas destilarias.

Os restaurantes deveriam seguir protocolos rígidos para o descarte dessas garrafas, conforme o delegado-geral, mas a venda para coletores facilita o reaproveitamento e é uma prática comum em muitos estabelecimentos.

“É lixo que deveriam jogar no lixo, mas que acabam vendendo”, afirmou ele. A polícia mantém aberta também a hipótese de que o metanol esteja sendo usado na adulteração da bebida, não descartando que ambas as práticas operem simultaneamente.

Como já reportado pela Folha, a falta de fiscalização no descarte dessas garrafas facilita a falsificação das bebidas, fazendo com que elas sejam valorizadas no mercado clandestino.

Conforme Lucien Belmonte, presidente da Abvidro (Associação Brasileira da Indústria de Vidro), o valor de uma garrafa de vidro pode variar muito entre cooperativas e rua: enquanto vale menos de R$ 1 nas cooperativas, um fornecedor do comércio ilegal paga de R$ 10 a R$ 200 por garrafa, dependendo da marca associada.

Garrafas vazias também são vendidas em sites de comércio online.

O engenheiro Chicko Sousa, fundador da GreenPlat, que utiliza tecnologia para rastrear reciclagem, destaca a necessidade de ajuste para controlar a reciclagem dessas embalagens. Ele observa que muitas garrafas são geradas nos pontos comerciais, e que o descarte fica a cargo de equipes que podem obter lucro do material, requirindo fiscalização local nos estabelecimentos comerciais.

“A fiscalização no retorno dessa embalagem deveria ocorrer nos locais de consumo comercial. A cobrança precisa ser lá”, afirmou à Folha.

Essas investigações aprofundam a análise sobre o impacto do metanol na contaminação das bebidas falsas distribuídas no mercado clandestino em São Paulo.

Créditos: Folha de S.Paulo

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