Polícia Federal prende influenciador Buzeira em operação contra lavagem ligada ao tráfico
Na terça-feira (14), a Polícia Federal prendeu o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, durante a Operação Narco Bet. A ação investiga um esquema internacional de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico de drogas.
A operação contou com auxílio da Polícia Criminal Federal da Alemanha (BKA), que cumpriu um mandado de prisão contra um investigado no país europeu.
Buzeira é famoso nas redes sociais por exibir uma vida luxuosa, incluindo carros importados, festas e apostas esportivas, acumulando milhões de seguidores no Instagram e outras plataformas. Ele se apresentava como empreendedor e apostador profissional, atraindo jovens interessados em apostas e sorteios online.
Além disso, promovia rifas e desafios pagos, oferecendo prêmios como veículos e dinheiro.
Segundo nota oficial da Polícia Federal, a Operação Narco Bet é um desdobramento da Narco Vela, que visava combater o tráfico de drogas por via marítima a partir do litoral brasileiro.
As investigações mostram que o grupo usava técnicas sofisticadas para movimentar fundos, como criptomoedas e remessas internacionais, para ocultar a origem ilícita do dinheiro e disfarçar patrimônio. Parte dos recursos foi aplicada em empresas do setor de apostas eletrônicas, conhecidas como bets.
No total, foram cumpridos 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Justiça também ordenou o bloqueio de bens e valores que somam mais de R$ 630 milhões, visando desestruturar o grupo criminoso e reparar danos causados.
De acordo com o portal G1, além de Buzeira, foi preso também o empresário Rodrigo Morgado, conhecido nas redes sociais após sortear um carro em uma festa da sua empresa e posteriormente tomar o veículo de uma funcionária sorteada.
Os investigados podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, com caráter transnacional, segundo a Polícia Federal.
Conforme a Agência Brasil, a Operação Narco Bet é resultado da apreensão de um veleiro brasileiro pela Marinha dos Estados Unidos em fevereiro de 2023.
A investigação descobriu uma rota marítima para tráfico entre a América do Sul e a Europa, envolvendo tanto o transporte de drogas quanto estratégias para lavagem e nacionalização dos recursos ilícitos.
A operação Narco Vela anterior mobilizou mais de 300 policiais federais e 50 policiais militares de São Paulo, cumprindo 35 mandados de prisão e 62 de busca e apreensão em vários estados, além do bloqueio e apreensão de bens avaliados em cerca de R$ 1,32 bilhão.
A Narco Bet investiga um grupo que movimentava grandes somas do tráfico internacional de drogas por meio de apostas esportivas e criptomoedas.
Segundo a PF, o grupo criou redes de empresas de fachada e usou nomes de terceiros para movimentar valores ilícitos, utilizando holdings familiares e contas em nome de laranjas para ocultar origem e destino do dinheiro.
A prisão começou após identificar transações financeiras incompatíveis com a renda declarada e o uso de empresas aparentemente legais para ocultar a origem dos valores. As apostas online serviam para inserir dinheiro ilegal no sistema financeiro, dificultando seu rastreamento.
O delegado Marcelo Maceiras afirmou que o principal objetivo é interromper o ciclo de lavagem, bloqueando patrimônios acumulados ilegalmente. Entre as medidas judiciais estão o bloqueio de mais de R$ 630 milhões e apreensão de bens de alto valor, como veículos, imóveis e embarcações.
Autoridades brasileiras informam que parte das plataformas investigadas operava com autorização governamental, mas havia suspeitas de uso de recursos ilícitos para sua constituição e manutenção. Outras, sediadas no exterior, seguem sob investigação internacional.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectaram movimentações milionárias, incluindo transferências de Rodrigo Morgado para Buzeira, e compras como a de uma mansão vinculada ao influenciador.
Rodrigo de Paula Morgado, contador e empresário, é apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema.
Nas redes sociais, Morgado se apresenta como especialista em redução de impostos, exibindo carros esportivos, viagens internacionais e contato com celebridades do futebol, como Neymar e Ronaldo Fenômeno. Segundo a PF, Morgado utilizava empresas ligadas às apostas para lavar parte dos recursos do tráfico.
Créditos: Folha