Polícia usa marreta em operação contra esquema bilionário de sonegação no setor de combustíveis
Um vídeo obtido pela CNN Brasil mostra policiais utilizando uma marreta para arrombar a porta de um dos locais atingidos pela megaoperação interestadual contra um esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
O grupo Refit, foco da operação, é considerado pela Receita Federal o maior devedor de impostos do país, com débitos fiscais acima de R$ 26 bilhões, e com movimentações que ultrapassam R$ 70 bilhões em um ano através de operações financeiras complexas.
No vídeo, é possível ver um agente batendo com a marreta contra a porta, que se abre com o impacto.
A Receita Federal destaca que o grupo investigado possui vínculos financeiros com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, iniciada em agosto de 2025, que apura a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) e fraudes no setor de combustíveis.
As fraudes abrangem toda a cadeia, desde a importação de combustíveis com declaração falsa de conteúdo, até a evasão reiterada de tributos em distribuidoras e postos vinculados à organização criminosa.
Conforme o Ministério Público de São Paulo (MPSP), mais de 621 agentes de segurança pública cumprem 126 mandados de busca e apreensão em seis estados e no Distrito Federal: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Maranhão.
A ação decorre de uma investigação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA-SP), em parceria com a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional, visando apurar a existência de uma organização criminosa composta por sócios, diretores, administradores e outros envolvidos em empresas supostamente ligadas a uma fraude fiscal estruturada de ICMS.
A CNN Brasil apurou que o prejuízo causado pela fraude ultrapassou R$ 9 bilhões somente para o estado de São Paulo entre 2007 e 2024.
Auditores da Receita identificaram que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um único ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores — inclusive uma exportadora fora do país — para ocultar e proteger seus lucros.
O órgão federal qualifica a organização como uma “devedora contumaz”, termo que descreve quem deixa de pagar tributos de forma reiterada e deliberada, acumulando dívidas que não são resultado de atrasos pontuais, mas de uma prática contínua de descumprimento das obrigações fiscais.
A CNN Brasil tentou contato com o Grupo Refit para um posicionamento, e mantém o espaço aberto para respostas.
Créditos: CNN Brasil