Por que EUA querem anexar a Groenlândia: segurança e minerais estratégicos
A ideia dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia vem sendo debatida há meses e não surgiu apenas com a posse do presidente Donald Trump (Partido Republicano), em janeiro de 2025. Ainda antes do Natal de 2024, Trump já defendia publicamente que os EUA “precisam” da Groenlândia por razões de segurança internacional, afirmando que o território, atualmente autônomo dentro do reino da Dinamarca, é essencial para proteger os Estados Unidos e seus aliados. Ele ressaltou que não busca explorar recursos além daqueles que contribuem para a segurança do país. O presidente já havia comentado sobre essa hipótese em 2019.
Esse tema gerou tensão diplomática entre Washington, Copenhague e as autoridades groenlandesas. No início de 2025, Donald Trump Jr. visitou a ilha com o pretexto de turismo, mas adversários políticos interpretaram a visita como um apoio às declarações do presidente sobre a importância estratégica do território.
Ainda em 2025, a presença norte-americana na Groenlândia foi marcada por visitas como as de Usha Vance, esposa do vice-presidente J.D. Vance, e de Michael Waltz, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA. As autoridades locais consideraram essas visitas “altamente agressivas”, demonstrando preocupação com a crescente pressão política sobre a ilha.
Em dezembro de 2025, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia. Essa decisão gerou reações negativas tanto da Dinamarca quanto do governo groenlandês, sendo vista como uma intensificação da estratégia dos EUA para avançar ou pressionar nas negociações, reacendendo a crise diplomática com Copenhague.
Trump sempre justificou a política americana em relação à Groenlândia com base na segurança. Os EUA mantêm na região noroeste da ilha a Pituffik Space Base, uma instalação com radares e sistemas para rastreamento de satélites, que integra a defesa contra ataques de mísseis de longo alcance, principalmente num contexto de rivalidade com Rússia e China.
A Groenlândia está localizada em uma posição crítica para a defesa do continente americano, pois sua proximidade com o Ártico a situa na rota mais direta que mísseis intercontinentais vindos da Rússia ou da China poderiam utilizar para atingir os Estados Unidos. Essa localização geográfica, no corredor estratégico do Atlântico Norte, tem sido frequentemente citada por Trump e seus aliados como motivo para a necessidade de controle sobre o território.
O presidente afirmou que, ao olhar “para cima e para baixo da costa da Groenlândia”, é possível observar navios russos e chineses em atividade, justificando assim a necessidade de maior presença e controle norte-americanos na região ártica.
Embora a retórica oficial enfatize a segurança, existem também importantes implicações financeiras e econômicas. A Groenlândia é uma das regiões com maiores depósitos conhecidos de minerais críticos e terras raras do mundo, fundamentais para tecnologias modernas, equipamentos militares e energia renovável. A China detém a maior parte dessas reservas globalmente, e o interesse dos EUA em disputar esse domínio faz parte do contexto estratégico.
A ilha é estimada como possuidora de grandes quantidades de petróleo, gás e minerais ainda não explorados comercialmente devido à espessa camada de gelo que a cobre.
Além de petróleo e gás, foram identificados na Groenlândia 25 dos 34 minerais considerados críticos, incluindo terras raras e outros metais estratégicos, o que justifica o interesse dos EUA em conseguir acesso direto a essas reservas em um momento de crescente importância global dessas matérias-primas.
A Groenlândia concentra 66% das chamadas terras raras pesadas, utilizadas em aplicações militares.
Os Estados Unidos têm considerado diversas formas para anexar a Groenlândia. O secretário de Estado, Marco Rubio, e a secretária de Imprensa, Karoline Leavitt, mencionaram a possibilidade de compra do território. O discurso oficial tem buscado uma solução diplomática. Rubin e autoridades dinamarquesas e groenlandesas programaram uma reunião para a próxima semana.
Entretanto, a Casa Branca também considera o uso da força militar. Líderes europeus divulgaram uma nota conjunta na terça-feira, 6 de janeiro, afirmando que a Groenlândia faz parte da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). No documento, ressaltam que o território pertence ao seu povo e que apenas a Groenlândia e a Dinamarca devem decidir sobre seus assuntos internos e externos.
Créditos: Poder360