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Potência Militar da Venezuela Frente à Presença Naval dos EUA no Caribe

O aumento da presença naval dos Estados Unidos no Caribe, com a chegada do porta-aviões USS Gerald R. Ford próximo à América Latina, tem gerado especulações sobre uma possível preparação para um conflito mais amplo entre EUA e Venezuela.

Embora os Estados Unidos afirmem que essa mobilização visa combater o tráfico de drogas, analistas questionam a necessidade de tanto poder bélico para enfrentar apenas embarcações narcotraficantes.

A chegada do porta-aviões marca a maior mobilização militar americana na região desde a invasão do Panamá em 1989. Além do USS Gerald R. Ford, os EUA destacaram cerca de 15 mil soldados e mais de doze navios de guerra, incluindo um cruzador, destróieres, um navio de comando de defesa aérea e antimísseis, embarcações de assalto anfíbio, e um submarino de ataque.

Os Estados Unidos também enviaram 10 caças F-35 para Porto Rico, que passou a ser um centro de operações militares americanas na região como parte do foco reforçado no Caribe.

Em contraste, especialistas apontam que o arsenal venezuelano, majoritariamente de origem soviética, aparenta estar obsoleto diante do equipamento moderno americano. As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) da Venezuela são consideradas uma potência militar regional graças a aquisições russas desde o governo de Hugo Chávez, que direcionou recursos petrolíferos para reforçar as forças militares e substituir armamentos com embargo informal americano.

Chávez, ex-militar e fundador do movimento revolucionário dentro das forças armadas, ampliou o uso de equipamentos russos como caças Su-30, tanques T-72, e sistemas antiaéreos S-300, Pechora e Buk, além de fuzis Kalashnikov. Isso separa as FANB de outras forças latino-americanas que utilizam armamentos americanos ou europeus, embora ainda possuam algumas armas americanas antigas.

No entanto, o país enfrenta dificuldades econômicas severas, com alta inflação, queda da produção de petróleo e sanções dos EUA, que impactam a manutenção e o treinamento das tropas. Devido a esses fatores, aproximadamente 7,9 milhões de venezuelanos emigraram, o que afeta a disponibilidade de jovens para o serviço militar.

Apesar de esforços recentes de manutenção e modernização, um relatório de 2024 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) indica capacidade operacional limitada devido a um longo período de crise econômica.

Atualmente, as FANB somam cerca de 123.000 militares ativos, incluindo Exército, Marinha, Força Aérea e Guarda Nacional, com aproximadamente 8.000 reservistas. Além disso, a Milícia Bolivariana, formada por civis e controlada diretamente pelo presidente, é estimada pelo IISS em torno de 220.000 integrantes, embora o governo de Nicolás Maduro tenha afirmado planos para mobilizar milhões, números estes questionados por especialistas quanto à sua veracidade e eficácia.

O Exército venezuelano, com 63.000 soldados, representa a maior fração das forças ativas e possui forte alinhamento político com o governo. O número de generais e almirantes promovidos por critérios políticos também é elevado. O país conta com tanques T-72B1, veículos BMP-3, tanques AMX-30, obuseiros Msta-S e lançadores de foguetes Smerch.

A Aviação Militar Bolivariana, a menor força com 11.500 soldados, é reconhecida pela posse de caças Su-30MK2, embora enfrente problemas de manutenção e reposição de peças, refletidos em acidentes recentes. A Venezuela também mantém defesas aéreas russas que incluem mísseis S-300, Buk, Pechora e lançadores portáteis Igla-S.

A Marinha Bolivariana, com 25.500 soldados, possui uma frota limitada composta por uma fragata classe Mariscal Sucre, um submarino Type-209 e navios de patrulha oceânica e costeira, alguns adquiridos da Espanha, que receberam recentemente armamento antimísseis, porém ainda carecem de sistemas de defesa antiaérea eficazes.

A Milícia Bolivariana, iniciativa criada em 2008, é vista como uma força paramilitar leal ao governo, mas sua efetividade em combate é questionada por analistas, que consideram seu treinamento insuficiente. Essa milícia seria mais uma rede de inteligência e capacidade repressiva contra a população do que uma força de combatentes ativos.

Esses elementos refletem o estado atual das forças militares venezuelanas diante da crescente mobilização americana na região do Caribe, evidenciando disparidades no poderio e desafios internos para a Venezuela.

Créditos: CNN Brasil

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