Internacional
12:09

Premiê do Canadá critica ordem mundial e ações de Trump em Davos

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que o mundo passa por uma “ruptura” na ordem mundial. Embora não tenha mencionado diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, Carney deixou claro que suas críticas eram direcionadas ao impacto das ações de Trump nessa nova realidade.

Carney destacou que o Canadá sempre defendeu a ordem mundial baseada no multilateralismo, instaurada após a Segunda Guerra Mundial, e na cooperação entre os países. No entanto, segundo ele, essa lógica não funciona mais.

O premiê canadense explicou que a atual crise global resulta de uma série de crises financeiras, sanitárias, energéticas e geopolíticas das últimas duas décadas, que expuseram os riscos da “integração global extrema”.

Ele criticou que potências passaram a usar a integração econômica como arma, tarifas como instrumento de pressão, infraestruturas financeiras como mecanismo de coerção, e cadeias de suprimento como vulnerabilidades exploráveis. Para ele, não é possível manter a ideia de benefício mútuo entre nações quando a própria integração gera subordinação.

No mesmo evento, líderes europeus concordaram com esse posicionamento. Ursula von der Leyen, chefe da União Europeia, afirmou que o mundo está “entrando em uma nova ordem mundial” e declarou que a UE será “inflexível” diante das ameaças dos EUA contra a Groenlândia. Emmanuel Macron, presidente da França, também criticou as investidas de Trump para anexar a Groenlândia, afirmando que “não é hora para imperialismos”.

Carney repudiou a tentativa de Trump de anexar a Groenlândia, ilha pertencente à Dinamarca e próxima ao Canadá, dizendo se “opor firmemente” às tarifas de 10% ameaçadas pelo presidente dos EUA contra países que se oponham a essa investida. Ele reforçou que o Canadá honrará o tratado da Otan e defenderá a Groenlândia em caso de invasão militar por parte dos Estados Unidos.

Macron ressaltou que a União Europeia não deve ceder à “lei do mais forte” e destacou que o bloco considera usar um “instrumento anticoerção” contra os EUA, apesar da aliança histórica. Ele também defendeu a entrada de mais investimentos na Europa vindos da China, rival econômica dos EUA, cuja influência Washington tenta limitar.

Von der Leyen enfatizou que a “velha ordem mundial acabou” e indicou que a Europa precisa se adaptar à nova arquitetura de segurança, não podendo mais confiar nos EUA como principal aliado, diferente do que ocorreu nas últimas décadas.

Créditos: g1

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