Presidente do Paraguai destaca papel de Lula no acordo Mercosul-UE
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou no sábado (17.jan.2026) que sem o trabalho diplomático do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua gestão à frente do Mercosul, o acordo com a União Europeia não teria avançado.
Durante a cerimônia de assinatura do acordo no Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção, Paraguai, Peña ressaltou a importância de Lula para a concretização do tratado, destacando seu papel fundamental nas negociações.
Lula não participou do evento, tendo sido representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na sexta-feira (16.jan), Lula encontrou-se no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também estava previsto para participar, mas teve seu voo cancelado.
O acordo comercial assinado entre Mercosul e União Europeia é um tratado de livre comércio que abrange cerca de 780 milhões de consumidores e representa aproximadamente 25% do PIB mundial. Após mais de 25 anos de negociações, o texto busca reduzir tarifas de importação progressivamente, impulsionando o comércio entre os blocos e criando novas oportunidades para produtos industriais europeus e agropecuários sul-americanos.
Além do comércio, o acordo inclui normas relativas a compras governamentais, serviços, propriedade intelectual, mecanismos de resolução de disputas e compromissos ambientais vinculados ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento.
Lula classificou a assinatura como uma “vitória do multilateralismo” em sua página no X, ressaltando que o tratado marca um avanço histórico no diálogo entre os blocos e pode gerar emprego, renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.
A assinatura é um passo formal relevante, mas o acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países do Mercosul e da União Europeia para entrar em vigor.
No Mercosul, o pacto deverá ser ratificado pelos congressos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, pois impõe obrigações legais internas, como redução de tarifas e mudanças em regras comerciais e regulatórias.
Durante a ratificação, poderá haver aplicação provisória de partes do acordo, especialmente em relação à redução tarifária, antecipando alguns benefícios econômicos.
O acordo só terá efeito pleno após todas as aprovações internas, tanto do lado europeu quanto do sul-americano.
A União Europeia é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Mercosul em bens, e o tratado formaria uma zona de livre comércio com mais de 700 milhões de pessoas e um PIB conjunto estimado em US$ 22 trilhões.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à UE, alta de 3,2% em comparação a 2024. As importações brasileiras do bloco somaram US$ 50,3 bilhões, com crescimento de 6,4%. O fluxo total comercial excedeu US$ 100 bilhões pela primeira vez desde 1997, aumentando 4,8% em um ano.
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluído no início de 2024, o acordo pode ampliar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões.
Os principais pontos do acordo incluem eliminação de tarifas alfandegárias, ganhos imediatos para a indústria, acesso ampliado ao mercado europeu, cotas e salvaguardas para produtos agrícolas sensíveis, compromissos ambientais obrigatórios, regras sanitárias rigorosas, comércio de serviços e investimentos, proteção à propriedade intelectual, avanços para pequenas e médias empresas, entre outros.
O tratado também permite que a UE reintroduza temporariamente tarifas em certas condições, assegurando salvaguardas agrícolas.
O acordo fortalece ainda o comércio de serviços, investimentos e compras públicas, buscando reduzir discriminações regulatórias contra investidores estrangeiros.
Créditos: Poder360