Primeiro ataque americano na Venezuela foi operação da CIA contra o Tren de Aragua
Donald Trump revelou um ataque supostamente realizado pela CIA contra um porto na Venezuela, usado pelo grupo criminoso Tren de Aragua para o tráfico de drogas. Fontes anônimas nos EUA confirmaram que houve um bombardeio por drones, embora as autoridades não tenham feito uma confirmação oficial.
Trump mencionou uma “grande explosão”, sem detalhar o evento. A Casa Branca e a CIA não comentaram o caso, que representa a primeira operação americana conhecida em território venezuelano, aumentando as tensões com o governo de Nicolás Maduro.
Fontes de Washington informaram à imprensa americana que a CIA conduziu o ataque, sinalizando que a ação foi autorizada por Trump em outubro. O ataque ocorreu no início do mês, mas só foi divulgado publicamente após a entrevista de Trump à rádio WABC, quando afirmou que uma “grande instalação” na Venezuela foi destruída.
Funcionários de segurança, sob anonimato, disseram à CNN e ao New York Times que o ataque foi um bombardeio por drone contra um porto na costa venezuelana, onde o Tren de Aragua guardava e embarcava drogas para os EUA. Segundo as autoridades, não havia pessoas no local durante o bombardeio.
Embora não tenha sido confirmado oficialmente pelas autoridades americanas, essa operação marca a primeira conhecida em território venezuelano desde o aumento das tensões. Trump afirmou que o ataque ocorreu por meio de uma grande explosão na área do cais usada para carregar barcos com drogas, indicando que a área não existe mais.
O governo venezuelano não comentou diretamente o ataque, mas o ministro do Interior, Diosdado Cabello, denunciou o que chamou de “loucura imperial” e várias ações agressivas contra o país.
Nos últimos meses, Trump alertou que poderia ampliar a pressão contra o governo Maduro, incluindo ataques terrestres. Relatórios da CIA indicam a existência de múltiplas possíveis instalações de drogas na Venezuela e Colômbia, parte do planejamento de uma campanha maior.
Até então, os Estados Unidos haviam atacado barcos suspeitos de tráfico em águas internacionais e apreendido petroleiros sob sanções, sem entrar no território venezuelano.
O ataque une dois alvos da administração Trump: o Tren de Aragua e Maduro. Embora Washington afirme que há ligações entre Maduro e o grupo criminoso, agências de inteligência manifestaram dúvidas sobre essas ligações.
Os EUA têm um mandado de prisão contra Maduro desde o início do governo Trump e elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações para sua captura.
Historicamente, a CIA realizou ataques por drones contra alvos terroristas em países como Paquistão, Iêmen e Somália durante o governo Obama, mas não havia conhecimento recente dessas operações, que são geralmente conduzidas pelos militares.
Não está claro se o drone usado neste ataque pertenceu à CIA ou foi emprestado pelos militares. Oficiais não comentaram o assunto. O Pentágono posicionou drones MQ-9 Reaper armados com mísseis Hellfire em bases de Porto Rico como parte dessa pressão.
Créditos: O Globo