Prisão do dono do Banco Master abala Brasília e investiga ligação com BRB
A prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, efetuada pela Polícia Federal, gerou grande repercussão no meio político e financeiro. A Operação Compliance Zero cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em quatro estados, levando o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do banco.
De acordo com o colunista Robson Bonin, a situação não surpreendeu Brasília, pois representava o desfecho esperado de uma trama envolvendo banqueiros, políticos influentes e uma suspeita operação bilionária vinculada ao Banco de Brasília (BRB).
Bonin destacou que o aspecto político do caso está no fato de o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, ter tentado adquirir o Banco Master. Desde o início, a negociação despertou suspeitas, e as investigações confirmaram uma combinação indevida entre interesses políticos e financeiros sem base técnica.
O chefe do BRB foi afastado por 60 dias, e a Polícia Federal chegou a solicitar sua prisão, mas o pedido foi negado pelo juiz, que considerou suficiente o afastamento.
As investigações revelam um enredo complexo nos bastidores. Vorcaro, ciente de que seria alvo de operação, teve seus advogados buscar colaboração judicial. Simultaneamente, ele saiu do país em voo internacional.
A defesa informou que a viagem tinha o objetivo de formalizar a venda do Banco Master para um fundo árabe, negociação anunciada no dia anterior. Para a PF, contudo, os movimentos indicavam uma tentativa de fuga.
Durante as buscas, foram apreendidos mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro, além de joias, carros de luxo e vinhos caros, imagens divulgadas pela Polícia Federal.
Paralelamente, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou ao Congresso que o bloqueio judicial ultrapassa R$ 12 bilhões, valor que, segundo os investigadores, teria sido movimentado em contratos fraudulentos.
A principal linha de investigação da PF aponta que o Banco Master buscava uma operação estatal para legitimar ativos e contratos irregulares, afetando diretamente recursos públicos do Distrito Federal.
A suspeita envolve transações fictícias, contratos falsos e tentativas de proteger patrimônio por meio da venda externa anunciada, também agora objeto de apuração.
O caso continua em andamento. O próximo passo será a decisão do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, sobre o levantamento do sigilo das investigações.
Bonin resume que este é apenas o começo de uma longa trama com desdobramentos políticos e financeiros significativos.
A operação tem impacto em Brasília, pressiona o mercado e abre nova frente de desgaste para setores relacionados ao banqueiro — uma história ainda em seus estágios iniciais.
Créditos: Veja Abril