Economia
12:06

Protestos agrícolas na Europa vão além do acordo UE-Mercosul, dizem economistas

Nos últimos meses, agricultores europeus têm protagonizado protestos com tratores nas ruas e até deixado esterco na casa de praia do presidente francês, como reação ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul, previsto para ser assinado em 17 de janeiro de 2026.

Para economistas consultados, o tratado é parte de um quadro maior de descontentamento entre os agricultores e os governos da União Europeia. Antes mesmo do acordo, esses produtores já manifestavam insatisfação com as políticas ambientais adotadas na região, que exigiram alterações na produção e aumentaram custos.

Os agricultores temem que o acordo traga maior concorrência de países com custos mais baixos e alta produtividade, como o Brasil. Apesar disso, o tratado inclui mecanismos de proteção para o setor europeu, como salvaguardas e cotas de importação.

A agricultura tem papel político importante e é vista como patrimônio cultural na União Europeia, recebendo históricas políticas de proteção, o que explica os protestos. As cotas e salvaguardas aprovadas pelos parlamentares europeus podem suspender temporariamente benefícios tarifários caso a importação de certos produtos aumente em mais de 5% na média de três anos.

Além disso, a Comissão Europeia propôs que os países do Mercosul adotem normas produtivas equivalentes às europeias. Produtos considerados sensíveis, como carne bovina e frango, terão limites de volume para tarifas reduzidas.

A demanda por produtos típicos europeus, como o presunto de Parma, segue alta e protegida no acordo pela indicação geográfica, que impede outras nações de fabricarem alimentos com os mesmos nomes.

Para especialistas, o acordo reflete e potencializa uma insatisfação crescente dos agricultores europeus diante das regras ambientais mais duras vigentes desde 2023, que reduziriam áreas produtivas, especialmente pela lei de restauração ambiental de 2024, que exige recuperação de ecossistemas. Medidas contra o uso de agrotóxicos, emissão de carbono e a transição energética também elevam os custos no setor.

Apesar do setor agrícola europeu possuir forte apoio político e subvenções, como preço mínimo garantido e orçamento definido pela Política Agrícola Comum, as insatisfações são visíveis, especialmente na França, onde o presidente Emmanuel Macron enfrenta baixa popularidade neste meio.

Questões geopolíticas, como a guerra entre Ucrânia e Rússia, também elevaram preços de insumos agrícolas, contribuindo para o descontentamento dos produtores. Para acalmar o setor, a Comissão Europeia ajustou para 2028-2034 o orçamento agrícola, liberando antecipadamente cerca de 45 bilhões de euros para os agricultores.

Créditos: g1

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