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Protestos em massa no Irã desafiam regime e Trump alerta para possível ataque

Protestos antigovernamentais surgiram em todas as 31 províncias do Irã, configurando a maior onda de agitação contra o regime em anos.

Na quinta-feira (8), autoridades iranianas impuseram um apagão nas comunicações de escala inédita, isolando o país do mundo durante a repressão violenta às manifestações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso as forças de segurança do país respondam com violência aos protestos, enquanto órgãos de direitos humanos relatam centenas de mortos e milhares de prisões.

A inquietação começou há cerca de duas semanas nos bazares de Teerã, motivada pela inflação elevada, espalhando-se para mais de 180 cidades e vilarejos, tornando-se um movimento geral contra o regime.

Os preços de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, dispararam, e alguns sumiram das prateleiras, impulsionados ainda pela decisão do banco central de cancelar um programa que facilitava o acesso a dólares baratos para certos importadores.

Essa mudança levou lojistas a elevar preços e, em alguns casos, encerrar atividades, desencadeando os protestos.

A mobilização dos bazaaris, comerciantes tradicionais dos bazares e historicamente aliados ao regime, é uma medida inédita e significativa.

O governo reformista tentou amenizar as tensões com transferências mensais em dinheiro, mas sem sucesso para conter a agitação.

A agitação atual é a maior desde os protestos em 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial, que motivou o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.

Os protestantes entoam slogans contra o líder supremo Ali Khamenei, refletindo profunda insatisfação motivada por pobreza, desigualdade e repressão.

Segundo a agência americana HRANA, mais de 500 manifestantes, incluindo crianças, foram mortos e quase 10.700 detidos, embora a CNN não tenha confirmado independentemente esses dados.

O envolvimento dos bazaaris é relevante, visto que historicamente eles sustentaram o poder clerical e foram decisivos na Revolução Islâmica de 1979, fornecendo apoio financeiro.

Apesar de seu papel ter se tornado mais simbólico, a desvalorização cambial afetou fortemente seus negócios, motivando o início dos protestos.

O governo busca distinguir entre manifestantes econômicos e aqueles que pedem mudança do regime, rotulando os últimos como “baderneiros” com apoio estrangeiro, ameaçando repressão rigorosa.

Após infiltrações e ataques israelenses em 2023, o regime iraniano classificou opositores como inimigos do Estado.

Reza Pahlavi, filho do xá deposto, emergiu como líder alternativo, convocando os protestos.

Especialistas veem a atual onda como diferente, com um sentimento generalizado de esgotamento.

Dina Esfandiary, da Bloomberg Economics, estima que a República Islâmica atual dificilmente resistirá até 2027.

O regime enfraqueceu após o ataque do Hamas a Israel e a contraofensiva israelense contra aliados iranianos, incluindo ataques às instalações nucleares do Irã.

Desde 1979, o Irã é uma teocracia liderada por clérigos, com Khamenei detendo o poder máximo, enquanto o presidente eleito Masoud Pezeshkian, em 2024, tem poderes limitados.

Pezeshkian atribui os protestos a “terroristas” estrangeiros, acusando-os de incendiários e vinculando o caos à guerra com Israel no ano anterior.

Alguns manifestantes podem ser condenados à pena de morte por crimes de vandalismo classificados como “moharebeh” (guerra contra Deus), informou a agência Tasnim.

Pezeshkian prometeu reduzir a intervenção estatal no câmbio para aliviar a economia, reclamando também das sanções americanas, corrupção e má gestão.

Corrupção e problemas estruturais levaram o país à beira do colapso.

Para o professor Arang Keshavarzian, parte da população perdeu a confiança no regime, que responde apenas com força e coerção.

Trump declarou que as forças armadas dos EUA monitoram a situação e consideram ações militares, ressaltando que consequências severas seriam aplicadas caso manifestantes morram.

Em diálogo recente, Irã e EUA mantêm canais abertos; o ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou disposição para negociações com base em respeito mútuo.

Trump anunciou tarifação de 25% para países que negociem com o Irã, elevando custos e pressionando setores comerciais.

Há seis meses, Israel e EUA lançaram ataques inéditos contra o Irã, com Trump retomando a possibilidade de novos ataques após reunião com o primeiro-ministro israelense em dezembro.

Khamenei advertiu os EUA para cessarem enganos, agradeceu manifestações pró-regime e pediu que Trump cuide dos problemas nos EUA.

Ele afirmou que o povo iraniano está unido para derrotar inimigos e que a República Islâmica não recuará diante de ameaças.

Créditos: R7

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