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15:07

Quase 5 milhões vivem em áreas com crime organizado no Rio, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha revelou que aproximadamente 4,9 milhões de pessoas residem em áreas do Rio de Janeiro e sua região metropolitana onde há presença explícita de crime organizado e milícias. Além disso, pelo menos 4 milhões afirmaram ter visto pessoas armadas com fuzis em seus bairros nos últimos 12 meses.

O levantamento, realizado entre quarta (29) e sexta-feira (31), após uma operação policial que resultou em 121 mortes, apontou que a presença do crime organizado é mais citada entre moradores de favelas (68%) do que entre quem não vive nessas localidades (38%).

A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais, com 95% de confiança, com 626 entrevistas feitas com moradores da capital e região metropolitana.

Dos entrevistados, 46% relataram ter maior medo dos traficantes e facções, em comparação a 18% que temem milícias e 6% que temem a própria polícia.

Em pesquisa anterior feita em janeiro de 2019, os números eram mais baixos para o medo de traficantes (34%) e maiores para milícias (27%) e polícia (12%). Ainda, 20% afirmaram temer igualmente todas as partes.

Dentre quem mora em favelas, 39% disseram ter mais medo de traficantes do que da polícia (14%). Já entre os que não moram em favelas, 50% temem traficantes e 3% a polícia.

Quase metade dos entrevistados na capital (48%) confirmou viver em áreas dominadas pelo crime organizado, número parecido aos 46% entre moradores da região metropolitana. Na capital, a zona oeste é onde este índice é mais alto (58%), seguida pelas zonas norte (48%), centro (46%) e sul (24%).

Cerca de 38% disseram ter visto pessoas armadas com fuzis em seus bairros, o que representa cerca de 4 milhões de moradores da capital e região metropolitana.

A maioria (66%) concorda que as ações do crime organizado interferem diretamente em suas vidas, e 62% consideram que traficantes são terroristas.

Também foi informado que 14% precisam pagar taxas para grupos armados, e 18% vivem em bairros onde policiais de folga prestam serviços de vigilância.

Após a operação de terça-feira, 59% declararam que gostariam de mudar de cidade se pudessem, o que equivale a cerca de 6,2 milhões de pessoas com 16 anos ou mais na população pesquisada (total de 10,49 milhões).

Esse índice é o mais alto desde 2020 e se repete em 2022, quando também chegou a 59%.

O desejo de sair do Rio é mais mencionado entre quem aprova o governo do governador Cláudio Castro (PL), com 66%; entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com 69%; e entre quem marcou voto em branco ou anulou (62%) no segundo turno das eleições de 2022.

Esse desejo é ainda mais frequente em moradores das favelas (65%) e da zona oeste (68%), seguida pela zona norte (62%), centro (49%) e zona sul (43%).

Créditos: Folha de S.Paulo

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