Política
20:04

Reforma do IR beneficia 15 milhões, mas pouco altera topo, diz economista

A reforma do Imposto de Renda aprovada pela Câmara representa um avanço, embora seja tímida ao impactar a renda mais alta, segundo avaliação do economista Pedro Rossi em entrevista ao UOL News – 2ª edição, do Canal UOL.

A proposta amplia a isenção para quem recebe até R$ 5 mil, beneficiando cerca de 15 milhões de brasileiros, mas mantém distorções relacionadas a lucros e dividendos, prática comum no país.

Segundo Rossi, apesar do alcance limitado no topo da pirâmide, a reforma constitui uma vitória importante no cenário atual, especialmente pelo apelo popular e capacidade de mobilização que demonstra.

Ele destaca que a reforma aprovada pelo Congresso procura corrigir desigualdades ao mobilizar renda do topo para o meio da pirâmide, configurando uma espécie de justiça tributária que pouco mexe na base e de forma modesta no topo.

O economista ressalta, porém, que o sistema ainda enfrenta distorções maiores, como a tributação diferenciada para lucros e dividendos, que não foi plenamente corrigida pela reforma.

Rossi também evidencia a injustiça horizontal presente no modelo atual, em que pessoas com rendas semelhantes podem pagar impostos muito distintos de acordo com a forma de recebimento, como trabalhadores com carteira assinada e quem recebe lucros e dividendos.

Para o economista, a reforma beneficia especialmente quem aufere mais de R$ 100 mil mensais, mas tem renda majoritariamente oriunda de lucros e dividendos, atualmente tributados com alíquotas efetivas muito baixas, sem cometer injustiças, apenas corrigindo distorções.

A aprovação unânime da reforma aponta, para Rossi, para a capacidade de mobilização popular em promover mudanças estruturais contra desigualdades históricas no Brasil, deixando perspectivas positivas para o futuro.

Créditos: UOL Notícias

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