Regime do Irã está enfraquecido, mas sem risco imediato de colapso
O regime iraniano enfrenta atualmente um enfraquecimento significativo, o maior desde o fim da guerra contra o Iraque nos anos 1980. Ele foi derrotado militarmente por Israel em julho do ano passado, seu programa nuclear sofreu ataques aéreos dos EUA, seus aliados do Hezbollah foram severamente derrotados em 2024 e o país enfrenta agravamento na crise econômica e problemas estruturais como a escassez de água em Teerã.
Apesar dessa fragilidade, não há sinais de que a ditadura tecerã esteja prestes a colapsar. Durante os protestos recentes, não houve desobediência por parte das forças de segurança, que seguiram reprimindo as manifestações com violência conforme as ordens do regime.
Quando regimes enfrentam grandes protestos, é comum imaginar sua queda iminente, como ocorreu em 2011 com Bashar al-Assad, que, apesar das expectativas, permaneceu no poder por mais 14 anos até ser deposto após uma ofensiva dos jihadistas do Hayat Tahrir al-Sham.
O regime iraniano detém o monopólio da força dentro do território, em uma situação até mais estável do que a do regime sírio. Uma queda do regime ocorreria apenas se as forças de segurança desrespeitassem ordens e cessassem a repressão, como no Egito em 2011, ou por meio de intervenção militar com ocupação, como ocorreu no Iraque e no Afeganistão, embora tais alternativas causem grandes conflitos e perdas.
Donald Trump ameaça uma ação militar contra o Irã, mas sem intenção de invasão ou ocupação. Provavelmente, a estratégia envolverá bombardeios que visem forçar uma capitulação, possivelmente negociando o abandono do enriquecimento de urânio em troca da suspensão de algumas sanções. Contudo, detalhes ainda são incertos e só serão esclarecidos nos próximos dias.
Diante dos protestos no Irã, cresce o interesse em compreender a vida em Teerã. Recomenda-se o livro “Os iranianos”, do jornalista Samy Adghirni, que foi correspondente da Folha de S.Paulo na capital iraniana durante três anos e depois atuou em Caracas.
Créditos: O Globo