Política
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Relator da CPMI aponta presidente da Conafer como articulador de fraude no INSS

O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, declarou nesta segunda-feira (29) que Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), está entre os articuladores do esquema de fraude que desviou recursos de aposentados e pensionistas.

Segundo estimativas da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF), o prejuízo causado por esse esquema, que ocorreu entre 2019 e 2024, pode ter alcançado R$ 6,3 bilhões.

Em abril, a PF revelou uma investigação que expôs um amplo sistema de fraudes envolvendo desvios de dinheiro das aposentadorias e pensões do INSS. A apuração apontou que associações e entidades que prestam serviços a aposentados realizavam cadastros não autorizados, com uso de assinaturas falsas, para descontar mensalidades diretamente dos benefícios pagos pelo INSS.

Durante depoimento na CPMI nesta segunda, Lopes negou as acusações feitas pelo relator, que comparou sua atuação à de Maurício Camisotti, um dos principais investigados no esquema.

Gaspar questionou Lopes sobre as ligações entre suas empresas e a Conafer, incluindo sua relação com Cícero Marcelino. Cícero é considerado pela comissão como principal ajudante de Lopes e operador do esquema.

O relator afirmou que Marcelino está ligado como proprietário à Santos Agroindustria Atacadista e Varejista, que recebeu R$ 100 milhões da Conafer ao longo dos anos, embora o cadastro oficial da Receita Federal não liste Marcelino como titular, mas indique que seu endereço coincida com outra empresa dele, em Presidente Prudente-SP.

Além disso, Lopes e Marcelino são sócios de uma empresa offshore em Delaware, EUA, que teria a finalidade de desenvolver uma fintech, segundo Lopes.

Gaspar também mencionou que Cícero aparece como procurador de uma empresa vinculada à esposa de Lopes, e que as esposas dos dois participaram de uma licitação para aplicação de emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), no valor de R$ 2 milhões.

Um documento do INSS de outubro de 2020 indicou que, durante a pandemia de Covid-19, a Conafer efetuou um aumento anormal de novos descontos nos benefícios. A Diretoria de Benefícios do INSS recomendou o rompimento do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a entidade, o que extinguiria esses descontos.

Conforme levantamento do INSS, a Conafer cadastrou 95.818 novos associados entre abril e agosto de 2020, período em que as restrições sanitárias da pandemia estavam mais rigorosas.

O INSS também informou que, ao ser questionada sobre os descontos considerados impróprios, a Conafer alegou não poder fornecer documentos porque suas instalações estavam fechadas.

Créditos: g1

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