Política
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Relator defende que projeto de dosimetria pacificará país e reduzirá manifestações

O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator responsável por modificar o projeto de anistia aos condenados por atos golpistas em um texto que reduz penas, afirma que sua proposta vai pacificar o país.

Segundo ele, após a aprovação de seu relatório pela Câmara e pelo Senado e a aceitação pela sociedade, não haverá mais manifestações de direita ou esquerda, como as que ocorreram nas capitais no domingo (21) contra a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra a PEC da Blindagem.

Paulinho ressaltou que manifestações são importantes, destacando sua experiência pessoal ao longo da vida. Ele busca apresentar uma proposta capaz de pacificar o país. O objetivo é que o país, já em 2026, ano das eleições, possa discutir projetos e questões de interesse nacional, afastando confrontos ideológicos.

Na noite de domingo, o deputado se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que participa da articulação para modificar o projeto. Nos próximos dias, Paulinho realizará diversas reuniões para ajustar a proposta junto às bancadas, com a intenção de levá-la a plenário na quarta-feira.

O projeto original do PL resiste a uma anistia mais branda, mas o líder Sóstenes Cavalcante (RJ) vai se encontrar com Bolsonaro na prisão domiciliar para discutir o tema. Paulinho também terá encontros com o líder da oposição, Zucco (PL-RS), e com deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), influentes nas redes sociais.

Como dirigente da Força Sindical, Paulinho planeja reuniões com centrais sindicais e com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ). De terça-feira em diante, realizará rodas de conversa com as principais bancadas para construir um texto que tenha apoio do plenário.

A mudança do foco da anistia para a redução de penas ocorreu após reunião na casa do ex-presidente Michel Temer na quinta-feira, com participação do deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que sugeriu a nova estratégia ao relator, e o presidente da Câmara, remotamente. Ministros do STF foram consultados e demonstraram apoio.

Na prática, isso significa redução das penas dos presos envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro, incluindo membros do núcleo decisório do golpe, entre eles Jair Bolsonaro.

No domingo, manifestantes protestaram em ao menos 14 capitais contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia. Algumas manifestações foram impulsionadas pela participação de artistas. Os atos foram convocados pela Frente Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligadas ao PSOL e ao PT, que reúnem movimentos como MST e MTST, nas últimas semanas em pelo menos 22 capitais.

Créditos: Folha de S.Paulo

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