Internacional
18:08

Reunião da Celac sobre prisão de Maduro encerra sem consenso

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participou hoje de uma reunião por videoconferência com países da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) para debater o cenário político na Venezuela após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. O encontro, que durou cerca de duas horas, não resultou em consenso nem em manifestação conjunta.

Mauro Vieira, que participou a partir do Itamaraty em Brasília, interrompeu suas férias para acompanhar o evento convocado pela Colômbia, país integrante do bloco formado por 33 nações. A maioria dos países expressou preocupação com a situação venezuelana, que envolve múltiplas visões, como a da Argentina de Javier Milei, favorável à prisão de Maduro.

Argentina enviou representante, mas não o chanceler. Também compareceram Bolívia, Suriname e Trindade e Tobago.

O Brasil reafirmou seu apoio à soberania da Venezuela e reconheceu Delcy Rodríguez, vice de Maduro, como presidente interina do país.

Para amanhã, está marcada uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, solicitada pela Colômbia e apoiada por Rússia e China. O Brasil, sem direito a voto, estará representado pelo embaixador Sérgio França Danese.

Na reunião da Celac, a Venezuela qualificou o ataque dos EUA como “covarde e criminoso”. O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, classificou o episódio como uma data obscura para a região, afirmando que Maduro é o “presidente constitucional” do país e que a ofensiva viola a soberania popular.

O chanceler caribenho destacou a violação dos direitos humanos, especialmente o direito à vida e à integridade dos civis, e alertou para uma perigosa escalada militar na região. Segundo ele, o ataque não é só contra a Venezuela, mas contra toda a América Latina e o Caribe, podendo futuramente atingir qualquer país que defenda sua soberania.

Mais cedo, Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram uma carta expressando preocupação e classificando a ação dos EUA como uma tentativa de controle governamental externo que ameaça a estabilidade política, econômica e social da região.

Na véspera, o governo brasileiro realizou uma reunião no Itamaraty para avaliar os ataques, com a participação do presidente Lula por videoconferência, além de ministros e embaixadores. Lula repudiou os bombardeios e a prisão de Maduro e sua esposa, considerando-os ultrapassagens inaceitáveis.

Ele considerou a ação dos EUA uma “afronta gravíssima” à soberania venezuelana e um precedente perigoso para a comunidade internacional, alertando que a ofensiva ameaça a manutenção da região como zona de paz, lembrando os piores momentos da interferência política na América Latina e Caribe.

Em publicação no X, Lula destacou que atacar países em violação ao direito internacional é um caminho para um mundo de violência e instabilidade, onde prevalece a lei do mais forte sobre o multilateralismo.

Créditos: Notícias UOL

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