Reunião entre Brasil e EUA destacou negociações comerciais positivas e futura agenda presidencial
O chanceler brasileiro Mauro Vieira, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, emitiram uma nota conjunta sobre o encontro realizado na Casa Branca nesta quinta-feira, 16. Segundo os três, as conversas foram “muito positivas” e envolveram “questões bilaterais em andamento”.
Eles concordaram em cooperar e conduzir diálogos em diversas áreas no futuro próximo, além de definir um caminho para trabalho conjunto. Ambas as partes também se comprometeram a organizar um encontro entre o presidente Trump e o presidente Lula na primeira oportunidade possível.
Horas antes, Mauro Vieira qualificou a reunião, que durou pouco mais de uma hora, como “muito produtiva”. O chanceler declarou que os dois governos estão elaborando uma agenda de encontros e que terá contato direto com Marco Rubio nos próximos dias para acompanhar as negociações e estabelecer prazos para futuras reuniões.
Ele destacou que o clima foi excelente, com descontração, troca clara e objetiva de ideias e disposição para a cooperação. Vieira reiterou a posição brasileira referente à necessidade de reversão das medidas adotadas pelo governo norte-americano desde julho, transmitida diretamente por Lula a Trump na semana anterior.
A reunião começou com um encontro de cerca de 20 minutos entre Vieira e Rubio, ao qual depois se juntaram equipes dos dois países, incluindo a embaixadora Maria Luiza Viotti e Jamieson Greer.
As conversas ocorrem em meio à tentativa do governo Lula de reverter o aumento de tarifas imposto em agosto pelo presidente Trump sobre produtos brasileiros. A agenda também visa facilitar uma reunião presencial entre os presidentes Lula e Trump, sem data ou local definidos, dependendo das agendas de ambos.
O chanceler ressaltou a atitude construtiva e o foco prático na retomada das negociações, em sintonia com a boa relação que se percebeu especialmente no telefonema entre Lula e Trump em 6 de outubro. Três dias depois, Vieira e Rubio combinaram este encontro em Washington.
Em abril, Trump anunciou uma tarifa mínima global de 10% que afetou as importações brasileiras, seguida por um aumento para 50% em agosto, em retaliação a uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, os Estados Unidos aplicaram sanções consulares e financeiras contra altos funcionários brasileiros, em particular ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro, condenado em setembro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Créditos: CartaCapital