RN confirma primeiro caso do superfungo Candida auris em paciente

O Rio Grande do Norte registrou o primeiro caso confirmado do fungo Candida auris, conhecido como “superfungo”, em um paciente. Trata-se de um espanhol de 58 anos que permanece internado e isolado.
A confirmação foi feita pela Secretaria de Saúde Pública do estado (Sesap) em 5 de fevereiro. Este fungo preocupa as autoridades de saúde devido à sua resistência a medicamentos e costuma afetar especialmente pessoas com sistema imunológico debilitado em ambientes hospitalares.
O Laboratório Central do Estado (Lacen) identificou a presença do fungo no paciente em 20 de janeiro, e a confirmação veio através de testes de genótipo realizados em laboratório de São Paulo.
Segundo a Sesap, o paciente segue hospitalizado tratando uma condição cardíaca, mantendo quadro estável. Não há outros casos em investigação no momento, e o caso está sendo acompanhado pelo Ministério da Saúde.
No Hospital da Polícia Militar, onde o paciente está internado, o infectologista Eduardo Teodoro explicou que o paciente inicialmente apresentava colonização pelo fungo e não infecção. Em casos de infecção é iniciado tratamento antifúngico; para colonização, são adotadas medidas preventivas para evitar a disseminação no hospital, como tem sido feito.
O paciente deu entrada na unidade em 16 de janeiro com insuficiência cardíaca e, durante a internação, foram coletadas amostras de rotina que alertaram para o fungo em 20 de janeiro.
O hospital adotou imediatamente as medidas recomendadas pela Anvisa, incluindo isolamento de contato do paciente, reforço das orientações de higiene e comunicação à equipe de saúde.
Candida auris é um fungo emergente e raro no Brasil, com poucos estados registrando casos, como Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. A infecção causada por ele pode ser fatal.
O fungo foi identificado pela primeira vez em 2009 no Japão, em uma paciente hospitalizada. Em dezembro de 2020, a Anvisa foi notificada do primeiro possível caso no Brasil, em um paciente da Bahia, e desde então foram registrados diversos surtos no país.
De acordo com um alerta de 2023 da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, os fatores de risco para a Candida auris incluem internação em unidades de terapia intensiva, hospitalização prolongada, uso de cateter venoso central e outros dispositivos invasivos, tratamentos prévio com antifúngicos, cirurgias recentes, imunossupressão e diabetes.
Créditos: g1