São Paulo lidera casos e mortes por intoxicação por metanol no Brasil
O estado de São Paulo enfrenta a situação mais grave do Brasil em relação a casos de intoxicação por metanol. São 162 casos registrados, incluindo 14 confirmados e 148 sob investigação, espalhados por 27 cidades. No total, sete óbitos estão em análise.
A capital paulista concentra o cenário mais crítico, com 75 casos em investigação e 11 confirmados. São Paulo contabiliza as duas únicas mortes confirmadas até agora por intoxicação por metanol.
As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde no sábado (4/10).
A Prefeitura de São Paulo confirmou que as duas mortes causadas por intoxicação por metanol na capital são de um homem de 46 anos, Marcos Antônio Jorge Junior, que faleceu em 2 de outubro após ser internado no Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio, no Tatuapé, com sintomas que começaram em 29 de setembro.
Anteriormente, em 15 de setembro, havia sido confirmada outra morte por contaminação, a do empresário Ricardo Lopes Mira, que apresentou sintomas em 9 de setembro e foi atendido na rede privada.
Essas são as duas únicas mortes confirmadas no país até o momento, e a prefeitura municipal lamentou os falecimentos.
Na sexta-feira (3/10), a Prefeitura de São Bernardo do Campo notificou a abertura de protocolo para morte cerebral de Bruna Araújo, de 30 anos, contaminada por metanol. Ela está internada no Hospital das Clínicas da cidade, em estado gravíssimo. Exames detectaram contaminação por metanol.
A Vigilância Epidemiológica de São Bernardo do Campo recebeu 30 notificações de suspeita: uma confirmada, quatro óbitos registrados e 24 pacientes em tratamento na rede hospitalar pública e privada da cidade.
O número total de mortes por intoxicação por metanol em São Paulo subiu para nove: duas confirmadas na capital e sete em investigação. Destas, quatro ocorrem em São Paulo, duas em São Bernardo do Campo e uma em Cajuru, no interior.
O total de casos no estado permanece em 162, com 14 confirmados e 148 sob investigação.
Autoridades em São Paulo estão realizando operações para combater a intoxicação por metanol em bebidas. Foram apreendidas mais de 40 garrafas de whisky, gin e vodca em mercadinhos, além de 800 garrafas suspeitas entre terça e quarta-feira.
Polícia e Vigilância Sanitária trabalham juntas para investigar os casos, já tendo aberto inquéritos em quatro locais da capital e quatro na Grande São Paulo, com interdições em estabelecimentos no Jardins, Mooca, Vila Mariana e São Bernardo do Campo.
Duas pessoas foram presas em suspeita de envolvimento com a intoxicação e cerca de 50 mil garrafas de bebidas adulteradas foram apreendidas.
Além disso, bares estão sendo interditados cautelarmente e estabelecimentos proibidos de vender bebidas alcoólicas após a operação.
Na sexta-feira, o governo de São Paulo anunciou a compra de 2 mil novas ampolas de álcool etílico para tratamento de intoxicação por metanol, a serem distribuídas nos centros de referência estaduais.
Um novo protocolo agiliza o diagnóstico, com testes realizados em até uma hora no Laboratório de Toxicologia Analítica Forense da USP Ribeirão Preto.
Até o momento, dez estabelecimentos suspeitos de vender bebidas adulteradas foram interditados nos bairros Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins, Mooca, M’Boi Mirim, e nas cidades de Osasco, São Bernardo do Campo e Barueri.
Essa ação faz parte do comitê de crise do governo estadual para combater a comercialização de bebidas adulteradas.
Créditos: Metropoles