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‘Ser mulher trans não me impede de presidir Comissão da Mulher’, diz Thabatta Pimenta

A vereadora de Natal Thabatta Pimenta (Psol) reagiu, nesta quarta-feira 18, às críticas envolvendo a presença de mulheres trans em espaços institucionais de representação feminina e afirmou que sua identidade de gênero não limita sua atuação política.

Em entrevista ao jornal Show de Notícias, da rádio 97 FM Natal, ela comentou a polêmica em torno da eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Thabatta e Erika são mulheres trans.

Ao abordar o tema, Thabatta foi enfática ao defender a legitimidade de mulheres trans em cargos de liderança. E citou sua experiência como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Trabalho e Minorias da Câmara Municipal de Natal. A discussão sobre políticas públicas para as mulheres está entre os objetivos da comissão. “O fato de eu ser uma mulher trans não me invisibiliza a agir, a pautar sobre todas as questões possíveis”, afirmou.

Segundo a vereadora, o debate sobre identidade de gênero tem sido colocado acima de questões mais relevantes. “Eu acho que esse debate é muito uma cortina de fumaça”, disse. Para ela, a controvérsia em torno de Erika Hilton acaba tirando o foco de pautas concretas que deveriam estar no centro da agenda política, como direitos trabalhistas, saúde e educação.

Thabatta também criticou o teor de parte das manifestações contrárias à presença de mulheres trans nesses espaços. “O que eu mais me choquei mesmo foi com as falas discriminatórias, as falas absurdas”, declarou, referindo-se a argumentos que questionam a legitimidade dessas mulheres com base em critérios biológicos. Para ela, esse tipo de abordagem reduz o debate e ignora a diversidade existente entre as próprias mulheres.

Na avaliação da parlamentar, a discussão precisa avançar para além da identidade de gênero. “A gente precisa ter outros focos, e não a identidade de gênero dessa mulher, seja cis ou trans. Há causas muito mais importantes para a gente debater hoje no nosso país”, afirmou.

Ao defender a diversidade nos espaços de poder, Thabatta ressaltou que a presença de diferentes perfis no Parlamento contribui para ampliar o alcance das políticas públicas. “A gente precisa da diversidade que existe. É necessário ter essas vozes no parlamento para que a gente consiga entender outras realidades”, disse.

A vereadora ainda destacou que sua atuação política não se limita à pauta LGBT+, embora reconheça a importância do tema. Ela enfatizou que sua trajetória está fortemente ligada à defesa das pessoas com deficiência e das famílias atípicas, agenda que pretende ampliar nos espaços institucionais. “Eu quero debater cidade, saúde, educação. A gente precisa olhar para todas as pessoas”, afirmou.

Para Thabatta, a tentativa de restringir a atuação de mulheres trans em espaços como a Comissão da Mulher representa um equívoco que empobrece o debate público. “O que importa é o trabalho, as pautas e os resultados. A identidade não pode ser usada para deslegitimar ninguém”, concluiu.

Agora RN

Foto: Francisco de Assis / CMN

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