Sete países aderem ao Conselho de Gaza de Trump enquanto Brasil permanece em silêncio
Sete países de maioria muçulmana, incluindo Arábia Saudita, Turquia e Egito, aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conforme comunicado conjunto.
Esses países se juntam a Israel, que confirmou publicamente sua participação em declaração separada, e a outras nações que já haviam aceitado o convite anteriormente. De acordo com a agência Reuters, aproximadamente 35 líderes mundiais anunciaram formalmente que farão parte do comitê.
Trump lançou oficialmente o conselho durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na quinta-feira (22/01). Na cerimônia, afirmou que “muitas coisas boas estão acontecendo” e que as ameaças à Europa, América e Oriente Médio “realmente estão se acalmando”.
“Há apenas um ano, o mundo estava em chamas”, disse Trump durante a assinatura do acordo, com a presença de membros fundadores do conselho, como o presidente argentino Javier Milei e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán.
Na quarta-feira à noite (21/01), Trump declarou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teria aceitado participar do conselho, mas Putin afirmou que seu país ainda está avaliando o convite.
Inicialmente, acreditava-se que o conselho teria como missão principal ajudar a encerrar o conflito de dois anos entre Israel e Hamas e supervisionar a reconstrução em Gaza. Contudo, o estatuto do conselho não menciona explicitamente Gaza e aparenta ter sido criado para assumir algumas funções da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Arábia Saudita declarou que o grupo formado por países muçulmanos — Arábia Saudita, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Paquistão e Catar — apoia os objetivos de estabelecer um cessar-fogo permanente em Gaza, apoiar a reconstrução e promover uma “paz justa e duradoura”.
No Fórum Econômico Mundial, Trump reiterou a aceitação de Putin e afirmou que “muitas pessoas aceitaram” o convite.
Putin respondeu à Reuters que a Rússia está analisando o convite, mas se mostrou disposta a destinar US$ 1 bilhão provenientes de ativos russos congelados para a causa. Ele vê o conselho como relevante principalmente para as questões do Oriente Médio.
Não está claro o total de países convidados ao conselho, embora Canadá e Reino Unido estejam entre eles e ainda não tenham se manifestado oficialmente. Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Argentina, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Hungria, Cazaquistão, Marrocos e Vietnã já confirmaram presença.
Além disso, Uzbequistão, Paquistão, Indonésia, Kosovo e Paraguai também teriam aceitado o convite, segundo a Reuters.
Ainda não há confirmação sobre a participação do Brasil, nem se o presidente Lula aceitará integrar a entidade. Trump ressaltou que o presidente brasileiro teria um “grande papel” no conselho e o elogiou em entrevista na Casa Branca.
Na mesma data, o Vaticano confirmou que o papa Leão 14 recebeu convite para integrar o conselho. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, informou que o pontífice precisará de tempo para decidir sobre sua participação.
O primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob, recusou o convite, alegando que o conselho “interfere perigosamente na ordem internacional mais ampla”.
Um documento vazado indica que o estatuto do Conselho da Paz entrará em vigor após a aceitação formal de três Estados, com mandatos renováveis de três anos para os membros e assentos permanentes para aqueles que contribuírem com US$ 1 bilhão.
O documento define o conselho como uma organização internacional dedicada à construção da paz conforme o direito internacional, com Trump exercendo o cargo de presidente e representante dos EUA, inclusive com autoridade para nomear membros do conselho executivo e criar ou dissolver órgãos subsidiários.
Na sexta-feira (16/01), a Casa Branca anunciou sete integrantes do Conselho Executivo fundador, entre eles o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, o enviado para o Oriente Médio Steve Witkoff, Jared Kushner, genro de Trump, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Nickolay Mladenov, político búlgaro e ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, foi indicado representante do Conselho de Paz em Gaza na segunda fase do plano, que envolve reconstrução e desmilitarização, autorizado por resolução do Conselho de Segurança da ONU até fim de 2027.
Em 17/01, o gabinete do primeiro-ministro israelense Netanyahu declarou que a composição do Conselho Executivo não foi coordenada com Israel e vai contra sua política.
A mídia israelense relatou que a inclusão de representantes da Turquia e do Catar — países que, junto com Egito e EUA, mediaram o cessar-fogo vigente desde outubro — ocorreu “à revelia de Israel”.
Na primeira fase do cessar-fogo, Hamas e Israel concordaram com a trégua, troca de reféns israelenses vivos e mortos por prisioneiros palestinos, retirada parcial das forças israelenses e aumento da ajuda humanitária.
Israel condiciona avanço para a segunda fase à entrega do corpo do último refém morto pelo Hamas.
A segunda fase enfrenta dificuldades devido à recusa do Hamas em abrir mão de armas sem criação de um Estado palestino independente, enquanto Israel não se compromete a se retirar totalmente de Gaza.
O cessar-fogo permanece frágil: mais de 460 palestinos morreram em ataques israelenses desde seu início, conforme o Ministério da Saúde em Gaza, controlado pelo Hamas. Por sua vez, o Exército israelense reporta a morte de três soldados em ataques palestinos no mesmo período.
O conflito estourou após ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, resultando em cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.
Em resposta, Israel lançou campanha militar em Gaza, onde mais de 71.550 pessoas foram mortas, segundo o Ministério da Saúde local.
Créditos: Terra