Política
07:13

Setor produtivo brasileiro se mobiliza contra tarifa de 25% dos EUA

Setor produtivo brasileiro se mobiliza contra tarifa de 25% dos EUA

Lideranças dos setores afetados no Brasil, especialmente da indústria, deram início a uma estratégia para tentar reverter a tarifa adicional que os Estados Unidos pretendem aplicar a produtos brasileiros a partir de 15 de julho.

O setor privado brasileiro já atua tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos para persuadir o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) a cancelar essa nova taxação. Entretanto, as entidades aguardam maior empenho do Palácio do Planalto e do Itamaraty em negociações com a Casa Branca para que a medida possa ser suspensa.

Na tarde de terça-feira (2), os representantes das áreas impactadas deram início à organização de uma mobilização setorial segundo o calendário do USTR. O prazo para pedidos de participação na audiência é 22 de junho, comentário escrito até 1º de julho, com audiência pública marcada para 6 de julho, e decisão final prevista para 15 de julho.

O relatório americano que embasa o tarifaço alega que políticas brasileiras, como o Pix, questões de comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção seriam “irrazonáveis” e prejudiciais às empresas dos EUA.

Fontes do governo brasileiro classificaram esses argumentos como “absurdos” e sem fundamento técnico plausível. Estuda-se manter negociações com os Estados Unidos via o grupo de trabalho formado após o encontro de Lula e Donald Trump em maio, além de avaliar possíveis respostas conforme a Lei da Reciprocidade Econômica.

O USTR iniciou uma fase de consulta pública antes de tomar a decisão final sobre as sanções comerciais, com prazo legal até 15 de julho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão americana, classificando o anúncio como intempestivo e baseado em uma “mentira”. Ele ressaltou que, embora os EUA aleguem déficit comercial, a balança mostra um superávit de US$ 415 bilhões para os norte-americanos nos últimos 15 anos.

Lula afirmou que o sistema de pagamentos brasileiro Pix é um ponto de preocupação para os EUA, por ser gratuito, simples e público, e que isso abriria espaço para competição com empresas americanas de cartão de crédito atuantes no Brasil. Ele chegou a sugerir que os EUA adotassem o Pix em seu país.

Durante a inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (HU-UFCAT), em Goiás, e na presença de ministros como Alexandre Padilha, Guilherme Boulos e Leonardo Barchini, o presidente afirmou que aguarda um contato do presidente Trump para explicações sobre a taxação.

Lula destacou o acordo bilateral que prevê 30 dias para negociações até 15 de julho e reafirmou propostas envolvendo minerais críticos, combate ao crime organizado e expansão comercial.

O presidente ainda afirmou que o Brasil não aceitará ser tratado como “republiqueta”, ressaltando a postura do país de agir com respeito, sem se considerar superior ou inferior a qualquer nação, buscando paz e diálogo, e não conflito ou submissão às pressões dos EUA.

Créditos: Tribuna do Norte

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