Shutdown nos EUA: cancelamento de voos e impacto em serviços públicos
Os serviços do governo dos Estados Unidos devem ser interrompidos após o Congresso não aprovar um projeto de lei orçamentário até a meia-noite de quarta-feira (1º). Essa paralisação, chamada de “shutdown”, poderá afetar ações que dependem do poder público, como controle aéreo e pagamento de benefícios.
Essa é a 15ª paralisação desde 1981, sendo a mais longa a ocorrida entre 2018 e 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, que durou 35 dias. Com o governo sem autorização para gastar, milhares de servidores públicos serão colocados em licença, enquanto outros, atuando em serviços essenciais, poderão ter seus salários suspensos.
O shutdown entrou no 38º dia nesta sexta-feira (7) e já é a mais longa da história dos EUA, afetando vários serviços públicos. O Departamento de Transportes ordenou o cancelamento de pelo menos 4% dos voos nos 40 maiores aeroportos americanos, devido à falta de funcionários durante a paralisação, causando um dia de caos com mais de 800 voos cancelados.
A aviação sofre impacto pela ausência de controladores aéreos, que trabalham desde 1º de outubro sem remuneração, levando muitos a faltarem. O secretário de Transportes, Sean Duffy, determinou que esse cancelamento aumente para 10% até 14 de novembro. Estimativas da analista Cirium apontam que até 1.800 voos poderão ser cancelados diariamente, afetando cerca de 268 mil passageiros por dia, além de aumentar atrasos frequentes.
Essa redução no número de voos ocorre às vésperas da temporada de férias e do feriado de Ação de Graças, período de intensa movimentação pelo país. Durante o shutdown anterior em 2019, houve filas maiores nos pontos de controle aeroportuários e redução do tráfego aéreo em Nova York.
Enquanto o governo está paralisado, alguns serviços como pagamento de aposentadorias, benefícios de invalidez e programas de saúde continuam operando. Agentes do FBI, da Guarda Nacional, forças federais, patrulhas de fronteira e fiscalização de imigração também seguem trabalhando.
A paralisação pode atrasar divulgação de dados econômicos relevantes, influenciar políticas públicas, investidores e limitar empréstimos e serviços para pequenas empresas.
O shutdown anterior ocorreu em 2018-2019 devido à disputa por financiamento para a construção de um muro na fronteira com o México, custando US$ 3 bilhões à economia, o equivalente a 0,02% do PIB.
Desta vez, a disputa está centrada em relação à saúde. Democratas exigem a extensão de programas de assistência médica que estão perto de expirar como condição para aprovar o orçamento. Já republicanos da base de Trump defendem que saúde e orçamento sejam tratados separadamente.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o projeto de orçamento proposto por Trump não resolve a crise de saúde do país. Por sua vez, republicanos acusam democratas de usar o orçamento para barganhar por demandas eleitorais antes das eleições legislativas de 2026, que decidirão o controle do Congresso.
O senador John Thune declarou que a oposição da extrema esquerda às propostas do presidente Trump não justifica impor sofrimento ao povo americano por meio do shutdown.
Créditos: g1