Política
18:08

Silvinei Vasques é preso no Paraguai tentando fugir para El Salvador com documentos falsos

Silvinei Vasques foi detido na madrugada desta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, Paraguai, ao tentar escapar para El Salvador.

Antes de embarcar, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentou usar documentos paraguaios em nome de Julio Eduardo, incluindo identidade e passaporte, que não correspondiam a ele.

Por não ter declarado sua entrada no Paraguai conforme previsto na lei migratória local, Silvinei será expulso e encaminhado ao Brasil, esperado ainda para a tarde de sexta, via Ponte da Amizade, entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, no Paraná.

O diretor de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, informou que o Ministério Público do país investigará se os documentos usados por Silvinei foram roubados ou extraviados. Após comparação de fotos, números e impressões digitais, foi confirmado que os documentos não pertenciam a ele.

Silvinei ingressou irregularmente no Paraguai e tentou usar identidade falsa, motivos que, conforme a legislação migratória local, justificam sua expulsão. Não havia mandado de prisão ou ordem da Interpol no Paraguai; portanto, a expulsão ocorreu por via administrativa, com uma equipe deslocada de Assunção para entregá-lo à Polícia Federal na fronteira.

Silvinei estava em Santa Catarina quando rompeu sua tornozeleira eletrônica, momento em que autoridades brasileiras notificaram países vizinhos, incluindo Paraguai, Colômbia e Argentina.

Durante a abordagem, apresentou uma declaração à polícia paraguaia alegando que não falava nem ouvia devido a um grave câncer no cérebro, informando ter diagnóstico de Glioblastoma Multiforme – Grau IV e impossibilidade de comunicação verbal.

No documento, afirmou que faria tratamento médico em El Salvador, destino final conforme a Polícia Federal brasileira. Posteriormente, admitiu que os documentos usados não eram seus.

A Fundação de Saúde Itaiguapy, que administra o Hospital Itamed, esclareceu que o médico citado no documento não tem vínculo com a instituição, cujo nome foi alterado em dezembro de 2024. O hospital ressaltou que o documento não foi emitido nem validado por eles, reforçando que são vítimas de possível fraude e uso indevido de sua imagem institucional.

Informações enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes revelam que Silvinei deixou sua residência em São José (SC) na noite de 24 de dezembro, antes do desligamento da tornozeleira eletrônica.

Imagens mostram que ele saiu do condomínio por volta das 19h22, carregando um veículo alugado com itens e um cachorro da raça pitbull. Após isso, não foi mais visto.

Polícia Penal e Polícia Federal tentaram localizá-lo no condomínio, mas não tiveram sucesso. A PF não conseguiu precisar as causas da violação da tornozeleira nem se ela ficou no apartamento de Silvinei.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva de Silvinei ao avaliar que ele tentou fugir para evitar ordens judiciais. Foi destacado que Silvinei violou medidas cautelares e usou veículo alugado para deixar sua residência com pertences e animal de estimação.

Silvinei Vasques foi condenado em dezembro de 2025 pelo STF a 24 anos e 6 meses de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado pós-eleições de 2022. Ele integrava o “núcleo 2” da organização criminosa e atuou para monitorar autoridades e impedir a votação de eleitores, especialmente no Nordeste, usando operações da PRF no segundo turno.

Anteriormente, Silvinei foi condenado na Justiça Federal do Rio de Janeiro por uso político da PRF durante a campanha eleitoral de 2022, recebendo multa superior a R$ 500 mil e outras sanções cíveis.

Ele chegou a ser preso em 2023, mas foi liberado com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Em janeiro de 2025, Silvinei foi nomeado secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura de São José (SC), cargo do qual pediu exoneração após ser condenado pelo STF no mesmo mês.

A prisão de Silvinei aconteceu no Paraguai após tentativas de fuga e uso de documentos falsos. A ação contou com cooperação entre as autoridades brasileiras e paraguaias na fronteira.

Créditos: g1 PR

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