Socialista Seguro e líder de extrema direita Ventura vão para segundo turno em Portugal
Na eleição presidencial de Portugal realizada no domingo, 18, o socialista António José Seguro e o líder da extrema direita André Ventura avançaram para o segundo turno.
Com mais de 99% das urnas apuradas, Seguro, do Partido Socialista, lidera com 31,14% dos votos, enquanto Ventura, do partido Chega, obteve 23,48%. A disputa final ocorrerá em 8 de fevereiro, daqui a três semanas.
Este pleito contou com um recorde de 11 candidatos, tornando improvável que algum candidato obtivesse mais da metade dos votos no primeiro turno para evitar uma segunda votação.
O eleito substituirá o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social Democrata, que já completou dois mandatos de cinco anos.
Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, e Jorge Pinto incentivaram o voto em Seguro no segundo turno. Martins comentou que as eleições revelam “uma direita em reconfiguração e em ‘trumpização’ em Portugal”, segundo o veículo português Público.
“Compreendo que todos os democratas estejam preocupados com essa radicalização da direita e essa reconfiguração. Acredito que a resposta correta neste momento é votar em António José Seguro na segunda volta, com plena consciência”, afirmou a candidata.
Luís Marques Mendes, do PSD, não declarou apoio a nenhum dos candidatos que avançaram, e o presidente do PSD, Luís Montenegro, afirmou que o partido permanecerá neutro.
Após o fechamento das urnas, Ventura declarou à imprensa portuguesa que a direita venceu as eleições, considerando que os candidatos desse espectro político somam mais votos do que os da esquerda, o que lhe dá maior chance no segundo turno.
Ele prometeu empenhar-se para “unir a direita” até 8 de fevereiro e afirmou: “É necessário que os demais protagonistas definam se querem um socialista ou o líder da direita. A batalha contra o socialismo começa agora na segunda volta”.
Cotrim Figueiredo, economista e empresário, líder da Iniciativa Liberal — partido pró-mercado que surgiu na mesma época que o Chega a partir da fragmentação da direita — tem eleitores na direita que podem migrar seus votos para Ventura.
Ventura, líder populista do Chega, estava entre os favoritos nas pesquisas recentes. O crescimento do apoio ao partido o tornou a segunda maior legenda do Parlamento português no ano anterior, apenas seis anos após sua fundação.
Durante a campanha, Ventura centrou seus discursos na crítica ao que denomina como imigração excessiva, apontando o aumento da presença de trabalhadores estrangeiros no país. “Portugal é nosso”, declarou.
Ele também veiculou outdoors pelo país com mensagens como: “Isto não é Bangladesh” e “Os imigrantes não devem ter direito a viver da assistência social”.
Créditos: Estadão