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STF transfere Bolsonaro para batalhão com melhores condições em Brasília

Filhos, aliados e opositores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiram à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que transferiu Bolsonaro nesta quinta-feira (15/1) para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

Embora reconheçam que a sala de Estado-Maior da Papudinha ofereça condições melhores ao ex-presidente — argumento apresentado por Moraes para a transferência — políticos da base bolsonarista consideraram a medida insuficiente para as condições de saúde de Bolsonaro, defendendo a prisão domiciliar.

Antes da transferência, Bolsonaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre uma pena de 27 anos por golpe de Estado e outros crimes.

Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador e filho do ex-presidente, criticou a decisão de Moraes nas redes sociais, chamando-a de “seletiva” e mostrando “tamanha maldade do ministro”.

Ele afirmou que a medida mostra a fragilização de garantias jurídicas, a aplicação seletiva do rigor penal e o descaso com a saúde do condenado. Segundo Carlos, a transferência para a Papudinha, mesmo com condições clínicas delicadas de Bolsonaro, assume um simbolismo maior, marcando um confronto institucional que ultrapassa a figura do ex-presidente e atinge conceitos de justiça e Estado de Direito no Brasil.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), outro filho de Jair, questionou no X se, na mesma situação, o ministro agiria igual com o ex-presidente Michel Temer.

Flávio destacou que os remédios usados contra os soluços do pai causam efeitos colaterais, como desequilíbrio e sonolência, que já provocaram uma contusão na cabeça, risco que poderia ser fatal, segundo ele.

O senador espera que Bolsonaro seja transferido para casa, local onde o risco de queda pode ser menor até que os médicos resolvam o problema definitivamente.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também questionou a decisão, reconhecendo que o espaço da Papudinha é aparentemente melhor — sem barulho e com atendimento —, mas perguntou por que ele não poderia estar em casa. Ele reforçou que Bolsonaro é inocente dos crimes que lhe são imputados.

Mario Frias (PL-RJ), deputado federal, afirmou que as condições na Papudinha são “menos degradantes”, porém alertou que isso não deve ser motivo de “comemoração”. Para ele, não se trata de privilégio, mas do mínimo que qualquer cidadão, especialmente um idoso com saúde fragilizada, deve receber.

Frias acrescentou que Bolsonaro não deveria estar preso porque não há provas contra ele, apenas perseguição política.

A deputada federal Bia Kicis (PL-RJ) defendeu que Bolsonaro deveria estar em casa, enfatizando que a transferência não representa justiça.

Outros parlamentares da base, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, qualificaram a transferência como punição política e vingança disfarçada de legalidade.

Por outro lado, políticos de esquerda reagiram à transferência com ironia e piadas, compartilhando vídeos antigos em que Bolsonaro mencionava “a Papuda”, dirigindo-se à deputada Maria do Rosário (PT-RS). A deputada republicou o vídeo, questionando quem a “Papudinha” espera agora.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também repercutiu o vídeo, com a frase “Aqui se faz, aqui se paga”.

O deputado André Janones (Avante-MG) ironizou as reclamações da família de Bolsonaro sobre as condições da cela na Polícia Federal, lembrando que a transferência eliminou o problema, mas agora Bolsonaro estará na Papudinha com outros presos.

Ao determinar a mudança, Alexandre de Moraes rebateu as críticas sobre a suposta precariedade da prisão na PF. Ele destacou os graves problemas estruturais do sistema prisional brasileiro e afirmou que Bolsonaro estava em condições privilegiadas em comparação a outros presos.

O ministro afirmou que faltava veracidade nas reclamações sobre as condições da prisão do ex-presidente e que a transferência para a Papudinha proporcionaria uma sala de Estado-Maior ainda mais favorável.

A cela onde Bolsonaro estava na PF media 12 m². Agora, ele ocupará um espaço exclusivo de 64,83 m², incluindo 54,76 m² cobertos e 10,07 m² ao ar livre.

No novo local, há cozinha, banheiro, geladeira, armários, cama de casal e TV, conforme a decisão.

O número de refeições diárias aumentará de três para cinco (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia).

Além disso, Bolsonaro terá acesso a equipe de saúde mais completa, aumento do tempo para visitas familiares, possibilidade de banho de sol e exercícios a qualquer horário, com aparelhos de fisioterapia como esteira e bicicleta.

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Créditos: BBC

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