Suspeito do assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz passou por presídio ligado ao PCC
O suspeito apontado como envolvido na morte do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz, esteve em uma ala de presídio associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme informou o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco do Ministério Público em São Paulo.
A confirmação da identificação foi feita em 16 de setembro pelo secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, durante o velório de Ruy na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Apesar da conexão possível do suspeito com a facção criminosa, o promotor Gakiya ressaltou que não há confirmação de que o crime tenha sido cometido pelo PCC. Ele mencionou que pode ter envolvimento de outro grupo criminoso ligado a contratos públicos em Praia Grande, onde Ruy atuava.
Responsável por investigar o PCC no estado, Gakiya comentou que tinha contato profissional recente com Ruy, conversando pela última vez em maio durante a operação Fim da Linha. Essa investigação identificou o crime organizado no transporte público paulista. Ruy demonstrava preocupação com o avanço de facções na Baixada Santista.
O promotor relatou que Ruy recebeu diversas vezes alertas sobre ameaças de morte interceptadas no sistema penitenciário, desde 2006. Em 2010, foi descoberto um plano para assassinar o ex-delegado, que foi frustrado com a prisão de dois suspeitos na porta da delegacia onde Ruy trabalhava.
Apesar de aposentado desde 2023 e secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, Ruy não tinha direito à escolta armada estadual. Embora geralmente usasse carro blindado, estava em veículo comum na ocasião da emboscada numa avenida movimentada.
Gakiya expressou sua preocupação pessoal sobre a proteção pósaposentadoria, mencionando um caso ocorrido em 2005 de um diretor de prisão assassinado dois anos após aposentar-se, como forma de retaliação da facção.
Ruy foi um dos maiores especialistas brasileiros na estrutura do PCC, tendo sido o primeiro delegado a investigá-lo no estado. À frente da Delegacia de Roubo a Bancos do Deic, ajudou a indiciar lideranças importantes da facção no início dos anos 2000 e a identificar seu organograma.
Os principais líderes mencionados foram Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), César Augusto Roriz da Silva (Cesinha) e José Márcio Felício (Geleião), que foram transferidos para regime disciplinar diferenciado no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes, inaugurado em 2002 para presos ligados a facções criminosas.
Créditos: Folha de S.Paulo