Política
15:07

Tarcísio critica Brasil por falha em liderar transição na Venezuela pós-Maduro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura e detenção do presidente Nicolás Maduro (PSUV), representa o fim de “um ciclo ruim” para o país e abre caminho para sua reconstrução política e econômica.

Segundo Tarcísio, a reação brasileira à ação norte-americana revela uma falta de liderança regional e isolamento diplomático, já que o Brasil poderia ter exercido papel central na condução da transição democrática venezuelana, mas não o fez.

Ele destacou que, embora se possa criticar os meios da operação, “algo precisava ser feito e foi feito” devido à omissão dos países que deveriam conduzir o processo.

O governador considerou que o governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adotou uma postura contrária ao sentimento predominante na América do Sul sobre a deposição de Maduro, que foi vista como necessária por muitos vizinhos diante do regime considerado “insustentável”.

Para Tarcísio, o Brasil se tornou irrelevante no episódio e poderia ter assegurado uma saída menos abrupta e negociada, criticando ainda o tratamento dado a Maduro como “companheiro”, e não como ditador.

Sobre o futuro político da Venezuela, defendeu o restabelecimento da democracia por meio de eleições livres e acompanhadas, ressaltando a deterioração institucional, especialmente do Judiciário e das Forças Armadas, ao longo dos anos.

Ele também ressaltou o potencial econômico da Venezuela após a queda de Maduro, apontando para a importância da reconstrução de sua infraestrutura e atração de investimentos, destacando que o Brasil pode ser parceiro nessas oportunidades se adotar uma postura pragmática, incluindo o reconhecimento rápido de um governo legítimo em Caracas.

Além de Tarcísio, outros governadores manifestaram apoio à operação militar dos EUA.

O presidente americano, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou em suas redes sociais que os EUA realizaram uma operação militar que culminou na captura de Maduro e da primeira-dama venezuelana, Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, informou que Trump ordenou a captura ainda na noite de sexta-feira (2.jan.2026), e que as ações ocorreram na madrugada de sábado (3.jan), incluindo ataques a quatro alvos com 150 caças e bombardeios, neutralizando a defesa aérea da Venezuela.

Helicópteros militares americanos foram empregados para transportar tropas a Caracas, e a missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há controvérsias sobre a legalidade da operação, pois os EUA não obtiveram aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Trump argumentou que tal aprovação não era necessária. Também se questiona o descumprimento das leis internas americanas, já que a operação não foi previamente aprovada pelo Congresso, com o secretário de Estado Marco Rubio afirmando que não houve tempo para comunicar os congressistas.

Ainda é incerto o número de mortos e feridos; autoridades venezuelanas confirmaram vítimas civis, enquanto um oficial dos EUA afirmou que não houve baixas entre os militares americanos, sem comentar sobre vítimas venezuelanas.

No sábado (3.jan), Trump declarou que os EUA assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até a definição de uma transição política, sem detalhar o procedimento, mas destacando o interesse na exploração e venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição da Venezuela, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que segundo Trump, manifestou disposição para cooperação com os EUA.

Trump também afirmou que a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, não teria apoio político suficiente para governar o país.

Em pronunciamento ao vivo, Rodríguez condenou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e reafirmou que Maduro segue sendo presidente legítimo. Ela comentou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo americano, desde que baseada no direito internacional, reforçando que o país não será “colônia de nenhum outro”.

Créditos: Poder360

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