Tarifas de Trump ameaçam exportações brasileiras de soja e milho ao Irã
As tarifas de 25% impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump aos países que negociam com o Irã podem afetar as exportações brasileiras de soja e milho, que juntos representaram 87,2% das vendas do Brasil para o Irã em 2025. Apesar disso, o país do Oriente Médio pode sentir o impacto de forma mais severa devido à sua dependência desses produtos.
As associações de produtores dos grãos avaliam que as tarifas podem levar o Brasil a cessar as exportações para o Irã. Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), destaca que o setor sofrerá um impacto imediato caso isso ocorra, pois já existem contratos vigentes e embarques programados.
Somente o milho representou 67,9% das exportações brasileiras ao Irã no ano passado, com valores superiores a US$ 1,9 bilhão. A soja respondeu por 19,3%, com cerca de US$ 563 milhões. O comércio total anual com o Irã atingiu quase US$ 3 bilhões, apesar de o país representar apenas 0,84% das exportações brasileiras.
O Irã está entre os principais parceiros comerciais do agronegócio brasileiro, ocupando a 11ª posição.
Bertolini ressalta que o Irã é um consumidor constante de milho brasileiro, que esteve entre 3 a 4 milhões de toneladas anuais desde 2020, superando 7 milhões de toneladas em 2025, movimentando quase US$ 2 bilhões.
O dirigente enfatiza que o maior prejudicado poderá ser o próprio Irã, devido à sua dependência do milho brasileiro. Segundo ele, os principais exportadores de milho mundialmente são Estados Unidos, Argentina e Brasil. O conflito na Ucrânia, outro potencial exportador, dificulta o fornecimento para o Irã.
Bertolini imagina que as tarifas possam não se aplicar a alimentos para evitar uma crise humanitária, pois o Irã teria dificuldades em suprir suas necessidades alimentares diretamente. Indiretamente, outros países poderiam adquirir o milho e fornecê-lo ao Irã, mas não haveria suprimento direto.
O presidente da associação acredita ainda que Trump pode revisar a decisão ou a ser manter livre a exportação de alimentos para o Irã sem tarifas. Além de soja e milho, 6,5% das exportações brasileiras para o Irã são de açúcares e melaços, e 6,2% de farelo de soja e outros alimentos para animais, além de farinhas de carne.
Por outro lado, as importações brasileiras vindas do Irã são modestas. Em 2025, somaram cerca de US$ 84 milhões, principalmente em adubos e fertilizantes, que representaram 79% desse total, além de frutas, nozes, pistaches e uvas secas.
Créditos: O Globo