TCU autoriza inspeção no Banco Central para investigar falhas na liquidação do Master
O Tribunal de Contas da União (TCU) concedeu autorização na sexta-feira (2) para realizar uma inspeção no Banco Central (BC) com o objetivo de apurar possíveis falhas na liquidação do Banco Master.
A área técnica do TCU, em documento obtido pelo UOL, apontou que as respostas anteriores do BC, fornecidas diretamente ao tribunal e à Polícia Federal, enfraqueceram preliminarmente os indícios de erro por parte da autarquia.
As diretorias de Fiscalização (Difis) e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução (Diorf) comunicaram ao TCU que o Banco Master era monitorado desde novembro de 2023, indicando que o processo de liquidação não foi precipitado.
Ainda assim, os esclarecimentos fornecidos pelo BC geraram dúvidas entre os auditores, os quais solicitaram documentos que, segundo o BC, contêm sigilo bancário.
Para resolver essas dúvidas, foi solicitado o recurso da inspeção, que possibilita o acesso direto às informações do BC em ambiente controlado.
Os auditores querem aprofundar a análise, especialmente quanto às supostas “graves irregularidades nas carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master ao BRB”.
De acordo com o BC, essa situação foi descoberta no segundo semestre de 2025 e envolvia o uso de práticas contábeis para ocultar a real condição financeira do cedente, com diversas operações suspeitas sem comprovação financeira, conforme informação no documento enviado ao TCU.
O Banco Master ainda enfrentava, desde novembro de 2024, dificuldades para cumprir os depósitos compulsórios, havendo solicitações de aportes feitas pelo regulador ao controlador do banco, o empresário Daniel Vorcaro, que não foram atendidas.
O processo em análise tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus e se originou a partir de uma representação do Ministério Público de Contas.
Cabe esclarecer que o TCU não tem competência para reverter a decisão do BC, podendo apenas exercer fiscalização de segunda ordem para avaliar possíveis falhas no processo de liquidação, sem poder reverter a liquidação, que é uma atribuição exclusiva do Banco Central.
Créditos: UOL