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Técnicos de enfermagem são investigados por mortes no Hospital Anchieta no DF

Imagens das câmeras de segurança do Hospital Anchieta, em Taguatinga, Distrito Federal, mostram três técnicos de enfermagem suspeitos de assassinarem três pacientes na unidade. Marcos Vinícius Silva é apontado como o principal autor dos crimes e confessou em depoimento à Polícia Civil. As técnicas Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos, são investigadas por supostamente darem cobertura às ações de Marcos.

Conforme a investigação, Marcos Vinícius injetou doses elevadas de um medicamento nos pacientes, utilizando-o como veneno, e em uma das vítimas chegou a aplicar desinfetante na veia. As imagens obtidas mostram os suspeitos junto aos leitos, coincidindo com a piora clínica repentina dos pacientes. O vídeo da segurança revela Marcos entrando sozinho nos quartos, ficando por poucos minutos ao lado das vítimas, que depois apresentavam alterações graves nos sinais vitais.

O técnico também foi flagrado manipulando medicamentos e utilizando senhas de médicos para emitir receitas falsas, retirando os remédios da farmácia e aplicando-os sem consultar a equipe médica. Amanda e Marcela, ambas presas, são investigadas por possível participação nos crimes e por não interromperem as ações ou comunicarem superiores, mostrando conhecimento das condutas ilegais.

A Polícia Civil identificou que Marcos efetuou 13 aplicações de desinfetante em uma das vítimas, uma mulher de 75 anos. Foram realizadas duas aplicações em 17 de novembro e outra em 1º de dezembro. Para disfarçar a autoria, o técnico realizava massagem cardíaca para tentar reanimar as vítimas. Ele trabalhava na área há cinco anos e, após a abertura da investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos. Marcos já atuava em uma UTI pediátrica de outro hospital particular em Taguatinga.

A investigação segue para apurar existência de outras vítimas no Anchieta ou em hospitais onde Marcos trabalhou. As vítimas confirmadas são João Clemente Pereira, 63 anos; Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos; e Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, que tinham diferentes quadros clínicos, mas apresentaram piora súbita que chamou atenção do hospital e das autoridades.

O Hospital Anchieta instaurou um comitê interno para analisar os óbitos e solicitou inquérito policial após identificar circunstâncias atípicas. Em nota, o hospital afirmou estar colaborando integralmente com as autoridades e que o caso corre em segredo de justiça para preservar a apuração e as partes envolvidas. O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal acompanha o caso e ressalta a importância do devido processo legal.

Familiares das vítimas manifestaram pesar e indignação, afirmando que acreditavam nas causas naturais das mortes até receberem informações sobre suspeitas graves. Eles apoiam as investigações e pretendem buscar responsabilização criminal dos envolvidos e civil do hospital por eventuais falhas na segurança e cuidado dos pacientes.

As prisões ocorreram em 11 de janeiro, com cumprimento posterior de mandados de busca e apreensão em diversas regiões. Em uma segunda fase da operação, dispositivos eletrônicos foram apreendidos. A Polícia Civil mantém sigilo sobre os vídeos para preservar as investigações e a integridade do processo judicial.

Créditos: g1

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