Tensão entre PF e ministro Toffoli preocupa colegas do STF
A tensão entre a Polícia Federal (PF) e o ministro Dias Toffoli aumentou após o magistrado, sem consultar a direção da PF, escolher e divulgar os nomes de quatro peritos designados para extrair dados de material apreendido na segunda fase da operação Compliance Zero, conduzida com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Esse conflito tem causado preocupação entre colegas de Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF).
Dirigentes da PF avaliam que a divulgação dos nomes expõe publicamente os peritos, prática que o órgão geralmente evita para preservar a liberdade dos agentes. Além disso, isso pode servir como intimidação, já que esses profissionais podem vir a ser alvo de acusações caso ocorram vazamentos dos dados extraídos.
Dentro da PF, a escolha feita sem consulta foi considerada “exótica”, interpretando que Toffoli decidiu “dobrar a aposta” contra a Polícia Federal e busca “controlar” as investigações referentes ao caso Master.
Integrantes da PF afirmam que, embora Toffoli tenha tentado minimizar o mal-estar ao determinar que seus peritos participassem da extração dos dados, a divulgação dos nomes foi uma medida “muito estranha” e fora dos “manuais” de conduta investigativa.
Ministros do STF recomendam cautela no andamento do caso Master e temem que os atritos entre Toffoli e a PF possam prejudicar a imagem do próprio Supremo. Segundo eles, as investigações devem revelar um esquema de fraudes bancárias explosivo, e aparentar que o tribunal dificulta o processo pode causar um desgaste importante.
O conflito entre Toffoli e a PF perdura desde que ele decidiu transferir o caso da Justiça Federal para o STF. Após isso, ele convocou uma acareação sem que houvesse contradições entre os investigados, gerando atrito com a delegada responsável pelo inquérito.
Recentemente, Toffoli retirou da PF a custódia dos celulares e computadores apreendidos na segunda fase da operação. A demora na extração dos dados preocupa a PF, pois pode dar tempo para que os proprietários apaguem o conteúdo por meio de serviços na nuvem. Medidas de Toffoli para desconectar os aparelhos de redes telefônicas e wi-fi podem reduzir este risco, mas ele ainda existe.
Créditos: g1.globo