Tensão inédita entre Alcolumbre e governo Lula por indicação ao STF
O impasse sobre a nomeação do próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) elevou a tensão entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a um nível sem precedentes. De acordo com relatos obtidos pela CNN, o clima entre eles é de ruptura, evidenciado pela recusa de Alcolumbre em dialogar com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
Conforme esses relatos, Wagner passou a ser visto como um opositor à possível indicação do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao STF. O petista teria buscado conversar tanto com Alcolumbre quanto com Pacheco, mas teve suas tentativas rejeitadas, inclusive em encontros no plenário, onde o afastamento foi mantido.
Alcolumbre, considerado um dos maiores entusiastas da nomeação de Pacheco para o STF, teria dito claramente que não atenderia mais Wagner, chegando a sugerir que apagassem seu número de telefone. Em conversas reservadas, o senador teria afirmado que a partir de agora o governo conheceria “um novo Davi”.
O estopim mais recente ocorreu em uma reunião no Palácio do Planalto, na segunda-feira, entre Lula e Pacheco. Na ocasião, Lula tentou persuadir Pacheco a aceitar disputar o governo de Minas Gerais, buscando viabilizar a indicação de Jorge Messias ao STF. Pacheco respeitou a decisão do presidente, mas informou que pretende deixar a vida pública após o término de seu mandato.
Nos bastidores do governo, há a percepção de que a rejeição de Alcolumbre à indicação de Messias aumentou nos últimos dias. Aliados próximos ao presidente já consideravam a indicação do AGU um cenário complicado antes mesmo da reunião entre Lula e Pacheco.
A conversa com Pacheco era considerada decisiva para quebrar o impasse, mas sua decisão de não concorrer ao governo mineiro contrariou os planos de Lula e do PT para tentar uma conciliação. O PT já começou a debater alternativas para a chapa ao governo de Minas.
Em Brasília, circulam versões divergentes sobre a vaga no STF. Enquanto alguns aliados próximos a Lula afirmam que a decisão ainda não foi tomada, outros acreditam que a nomeação de Messias já está consolidada. O argumento para isso é que ceder às pressões do Senado seria muito desgastante para o governo e para Lula.
Uma alternativa citada por um interlocutor presidencial é suspender temporariamente a indicação, aguardando um momento mais favorável para avançar.
Créditos: CNN Brasil