Política
12:09

The Economist avalia que Lula não deveria concorrer à reeleição em 2026

A revista britânica The Economist afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deveria disputar a reeleição em 2026. Em editorial publicado na terça-feira (30), o periódico destacou a idade do petista, que completou 80 anos em outubro, e argumentou que os brasileiros “merecem opções melhores”.

O texto traça um paralelo entre Lula e o ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, que desistiu de concorrer à reeleição em 2024 durante a campanha. Naquele ano, Kamala Harris, candidata escolhida para substituir Biden, foi derrotada por Donald Trump.

“Lula tem apenas um ano a menos do que Joe Biden tinha no ponto equivalente do ciclo eleitoral de 2024 nos Estados Unidos — que terminou de forma desastrosa. Ele parece estar em condição muito melhor do que Biden estava, mas já teve problemas de saúde”, ressaltou o Economist.

Segundo a publicação, mesmo com bons resultados da economia brasileira, as políticas econômicas do governo Lula são “medíocres”.

“Elas se concentram sobretudo em transferências aos pobres, acompanhadas de medidas de aumento de arrecadação que se tornam cada vez menos amigáveis aos negócios, embora ele tenha agradado aos empregadores com uma reforma para simplificar os impostos.”

Para o Economist, Lula “poliria seu legado” ao não disputar a eleição e permitir uma “disputa adequada em busca de um novo campeão da centro-esquerda”.

A revista avaliou também possíveis candidatos para a eleição presidencial de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi classificado como “impopular” e “ineficaz”, apesar de ter sua pré-candidatura confirmada em carta escrita à mão por Jair Bolsonaro no início do mês.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi descrito como “ponderado” e “democrata” e apontado como o nome mais proeminente da direita para um enfrentamento contra Lula.

“Bolsonaro talvez ainda perceba que Flávio não tem chance e transfira seu apoio para Tarcísio de Freitas. De qualquer forma, Tarcísio deveria ter a coragem de entrar na disputa. Diferentemente dos Bolsonaros, ele é ponderado e democrata. Diferentemente de Lula, tem apenas 50 anos.”

O artigo também destacou a robustez das instituições democráticas brasileiras em 2025, mencionando que o país seguiu o devido processo legal ao condenar Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista após as eleições de 2022.

“Se forem sábios, [os partidos da direita] abandonarão Flávio e se unirão em torno de um candidato capaz de ir além da polarização dos anos Lula-Bolsonaro. Uma figura de centro-direita que corte a burocracia, mas não as florestas tropicais; que seja duro contra o crime, mas não despreze as liberdades civis; e que respeite o Estado de Direito, poderia tanto vencer quanto governar bem. O Brasil tem tudo a ganhar em 2026 — e o resultado é preocupantemente incerto”, concluiu o Economist.

Créditos: CNN Brasil

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